Justiça em três diferentes instâncias: a tribal, a religiosa e a oficial… daria pra pensar que um país assim seria um lugar justo certo!?!? ERRADO!!! Todas as esferas da justiça favorecem apenas os mais fortes!!
Me chocou saber que as tribos podem decidir o castigo a ser aplicado a um mebro da própria tribo ou, pior, de uma tribo dita inferior. A jirga é o tribunal tribal composto, “obviamente”, só por homens. Idealmente deveria ser composta pelos mais velhos e mais sábios da tribo mas, no caso de Mukthar a jirga consistia de brutamontes, sedentos de vingança e violência!! Foram eles que decidiram a punição de Mai. Mas e as outras “justiças”?!?! A religiosa, pelo visto, também se submete à jirga… no livro Mai fala sobre como o mulá ficou de fora da decisão e não foi ouvido no caso dela.
A justiça oficial simplesmente pegou a assinatura da vítima em um papel em branco e, se não fosse o apoio do pai de Mai e a notoriedade da história dela, teriam certamente arquivado o caso sem maiores preocupações.
Acredito que enquanto não existir justiça de verdade NADA vai mudar!! Não só no Paquistão, como também no Brasil (como já discutido pela Scliar no post sobre justiça paralela).
Já é meu 2º post sobre o livro… e o 2º que digo algo que precisamos pra mudar… o que acham?!!?
EDUCAÇÃO e JUSTIÇA!!!
Beijos, Dani

4 comments
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Março 4, 2008 às 12:09 pm
ethel scliar
Dani, minha única dúvida é se de fato a educação muda alguma coisa… Bom, como eu digo para os meus alunos, é claro: ruim com ela, pior sem ela.
Mas veja só: a Alemanha, tão educada na 2a. Guerra Mundial! Deu no que deu. E esses países, que retrocederam “trocentos” anos num piscar de olhos? E a onda de extrema direita? E os Golpes de Estado? Será que quando a gente aposta as fichas na educação não estamos repetindo aquela postura “desenvolvimentista”, “civilizada”, que discutimos no livro anterior - Admirável Mundo Novo? Respeito pela dignidade humana tem mesmo a ver com educação? Ethel
Março 5, 2008 às 3:49 pm
alvarosilva
Dani, essa questão da Justiça é complexa, porque ela nunca existe sozinha, sem a consideração de fatores culturais diversos, que a gerem e a regem. Você disse que no caso do Afeganistão ela é feita pelos homens. Obviamente contra as mulheres. O livro mostra isso.
Mas não apenas contra as mulheres, e sim contra aquelas que são das castas inferiores, pois a mesma justiça dos homens de lá, de alguma forma protege as mulheres das castas mais altas. As deles.
Tudo isso é fruto de uma cultura de milênios que agora tem a possbilidade de mudar porque, em tempos de globalização, os aspectos culturais das mais diversas sociedades tendem a ser mostrados.
Enquanto isso não acontece, é esperar. Mais estupros virão.
Março 5, 2008 às 6:41 pm
luciane
Oi, Dani! Eu concordo com a Ethel. Acabei de ler um artigo em que foi investigado qual a opiniäo de psiquiatras e enfermeiras psiquiatricas quanto a ter um vizinho com alguma doenca psíquica. A maioria no quer saber de ter vizinho doente, por outro lado defendem a reforma que acabou com os hospitais psiquiátricos na Suécia. Ou seja, apesar deles serem especialistas no assunto (educacäo nessa área é que näo falta), continuam com os mesmos preconceitos que a populaco em geral tem sobre esses pacientes. Dou esse exemplo só pra ilustrar que educacao, como a Ethel salientou, näo resolve tudo. É um bom comeco e talvez meio, mas não o fim. A gente tem que trabalhar com os nossos conceitos e preconceitos também. No caso do Paquistao e como as mulheres sao vistas, acho que é um pouco a mesma coisa.
Beijo pra ti.
Março 9, 2008 às 10:56 am
Lys
E certamente acharas uma coisa mais que deve ser mudada para cada um dos proximos
Concordo com a Scliar e com a Lu, mas acho que dependendo do tipo de educacao que damos para nossos filhos isso pode mudar sim. Vou falar disso no meu post.
Alvaro, toda mudanca de fato eh lenta.
beijinhos
Lys