Uma amiga, muito intelectual, PHD em ciências humanas, letrada, verbada e com cinco universidades perguntou se Mukthar descrevia o estupro no livro. Respondi que sim e ontem (domingo, estou programando o post) ela me chamou de mentirosa. Não havia a descrição do estupro tim-tim por tim-tim.

Ok, desculpe. Atenção senhores leitores: Desonrada não é um livro onde uma mulher conta com riqueza de detalhes (isso naquilo e aquilo nisso) como teve sua flor despetalada por quatro homens seguidamente por horas. Podem tirar suas éguas da chuva pois quando Mukthar saiu do estado letárgico após o estupro clamou por justiça e não piedade. A preocupação dela, sua luta é para que outras tenham apoio e se sintam fortes para lutar contra seus próprios demônios e não chamar atenção da mídia ou da sociedade para sí.

Na tradução em português, ha um prefácio da Miriam Leitão onde ela conta que a ONU, por uma questão de “burocracia”, ajudou o governo paquistão a calar Mukthar Mai dentro de seu país quando essa teve seu direito de locomoção reduzido… fiquei com nojo! A ONU, guardiã do direitos da humanidade… nessas horas percebo o quanto sou ingênua!