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Este clube é formado, em sua maioria, por mulheres. Daí pode-se depreender que os poblemas femininos estejam sempre em foco. Acho que os homens do clube - eu e o Álvaro - concordamos em que este é um assunto sempre em foco. E do qual nunca é demais se falar.
Como observei há uma semana - Alguns frutos da globalização - os problemas femininos - e não só eles - ficaram mais evidentes com a globalização, ganhando destaque na mídia situações que, antes, não eram faladas. É o caso de Mukthar Bibi, depois conhecida como Mukthar Mai. Ela não se enquadrou na norma tribal de ser violentada, ficar quieta ou se matar.
Não
. Ela foi à luta e expôs um problema que é quase que milenar em alguns países onde o islamismo é a fé quase oficial: a prevalência da visão masculina que trata a mulher como objeto, podendo usá-la e descartá-la ao seu bel prazer. A questão se prende à cultura, entranhada nos costumes de tribos, agrupamentos religiosos e étnicos espalhados pela África e Ásia.
No Ocidente, a mulher ganhou um outro status e seus direitos avançaram, e muito. Nos setores dominados pelo islamismo - e isso, frise-se, nada tem a ver com religião - a situação é bem outra. Como já disse alguém, a título de brincadeira, a mulher só tem valor como reprodutora e serviçal. Este aspecto fica bem ressaltado no livro de Mukthar.
O que aconteceu com ele - e acontece com milhares de mulheres todos os dias - é altamente condenável e os mídias ocidentais têm mesmo de ressaltar a opressão feminina, seja ela em áreas islâmicas, cristãs, animistas ou sem religião. Só falando e alardeando o que acontece é que a opinião pública se mobilizará e poderá ajudar na mudança da situação.
Neste aspecto, o de tornar público o que ocorre, o livro de Mukthar Mai tem mérito. Do ponto de vista literário, no entanto, ele é muito ruim, muito pobre. O próprio relato poderia ganhar muito maior dramaticidade se fosse conduzido de modo diferente. Não há uma contextualização da situação, não há referências a outros locais. O destaque é para a violência cometida.
E como o próprio livro mostra, ela não acontece só com as mulheres. Também os homens, em disputas tribais e étnicas, são brutalizados, massacrados, mortos. Neste caso, nem homens nem mulheres, têm direitos reconhecidos. Prevalece a lei do mais forte, o talião, o olho por olho, dente por dente. E não importa se a vingança é feita contra homens ou mulheres.
Nós reconhecemos isso. Mas será que o Ocidente realmente se importa? Não é ele, por acaso, o principal financiador do Governo paquistanês, que nada faz em favor dos direitos humanos? Não foi ele quem financiou o Talibã, Afeganistão? Não é o Ocidente que faz vistas grossas à repressão em várias partes do mundo, incluindo a China? Fala, nestes casos, o interesse maior do econômico e do político.
Precisamos avançar. Mas antes de condenar o que os outros fazem - e violar mulheres e brutalizar homens é sempre condenável - é preciso acabar com a hipocrisia ocidental que prega: Faça o que digo, não o que faço. Afinal, a violência contra as mulheres também existe por cá.

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