Peguei os ultimos capitulos do livro as 10 da noite e já eram duas da manha quando acabei. Não consegui parar, não consegui desviar o pensamento… tanto que só lembri de tomar meu anti-concepcional hoje de manha. Se uma admirável vida nova aparecer em mim nas próximas semanas a culpa é do herege do Aldous.

Herege pra não dizer coisa pior. O cara não “montou” nenhum mundo novo. Ao chegar ao ponto onde Lenine e Bernard (o nome da mulher vem na frente propositalmente) vão para a reserva selvagem, as criticas a nossa atual sociedade ficaram evidentes. Esse um montou um mundo onde ele, homem, seria feliz comendo quem bem entendesse, livre de culpas e compromissos. Ora que lindo seu menino.

Se o mundo era perfeito, pq fui obrigada a me confrontar com um herói patético? O o John? Um selvagem… realmente um selvagem… um animal em todos os sentidos. Lenina uma mulher superficial desesperada em ser magra, horrorizada com a gordura e feiura da Lisa. Esse mundo não tinha nada de novo, mas é admirável. Pergunta: vc viveria em um mundo assim.

Algumas partes do livro que grifei:

“Aqueles que se sentem desprezados fazem bem em ostentar um ar de desprezo.”

“- Mas Fanny, você realmente quer dizer que durante os próximos três meses não vai…” - reticências? Moralismo na terra onde todos são de todos?

“Os bem intencionados comportavam-se da mesma forma que os mal intencionados”

Estão vendo? Desprezo, vergonha, moral… tudo vive nesse mundo novo. São conceitos natos a meu ver. Não precisam ser ensinados. O individuo nasce com ele e os modela durante toda a vida de acordo com o meio onde vive.

Finalizando, para mim ficou bem claro, inclusive nas palavras do próprio diretor geral:

“A felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as supercompensaçoes do sofrimento. E, por certo, a estabilidade não é nem de longe tão espetacular com a instabilidade.”

Isso se torna claro quando multidão de civilizados se juntam ao pé do farol onde foi se esconder o Selvagem, para ver seu espetaculo de auto-flagelação. Civilizados?