“Você não tem o desejo de ser livre Lenina? (…) Eu sou livre, livre para me divertir…”
Quando li essa parte do livro parei, marquei-a e fiquei pensando… a impressão que tive (e ainda tenho) é que Bernard quer saber se ela não tem vontade de se sentir só, de sentir medo, tristeza e vários outros sentimentos que, se não proibidos, são quase heréticos no Admirável Mundo Novo. Quase no final do livro, na conversa do Selvagem com Mustafá Mond, o administrador explica o S.P.V. (Sucedâneo de Paixão Violenta) como “o equivalente fisiológico do medo e da cólera. Todos os efeitos tônicos de assassinar Desdêmona e ser assassinada por Otelo, sem nenhum dos inconvenientes.” O Selvagem prontamente replica: “Mas eu gosto dos inconvenientes”
Daí parei pra pensar… nossa vida se resume à busca pela felicidade… queremos ter amigos, família, filhos, casa, um amor e, basicamente, ser felizes!! Ou não?!!? Falo por mim… adoro os grandes (e os pequenos) momentos de felicidade da minha vida!! Mas o que faria se fosse feliz o tempo todo?!!? Como aprenderia, cresceria e, principalmente, como saberia reconhecer a felicidade?? Não que goste de ser infeliz!! Com exceção de algumas poucas pessoas, acho que ninguém gosta de ser triste!! Mas acredito que momentos de tristeza são importantes pro nosso crescimento pessoal e espiritual!! Assim como os momentos de solidão, introspecção (coisa que não existe no AMN!!) e insatisfação!! Esses momentos nos fazem descobrir quem somos de verdade e o que queremos da vida!!
Então, eu concordo com o Selvagem… eu quero os inconvenientes!!! E você, o que acha?!!?

8 comments
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Fevereiro 12, 2008 às 8:59 am
scliar
Bem, para me redimir que ando sem comentar os posts, orgulhosamente inauguro este!Pois é, o Sagan não sei em que livro falava que, infelizmente, parece que o ser humano TAMBÈM funciona no sistema binário, ou seja, precisa ter o contraponto para conseguir sentir, raciocinar… Caimos na discussão do maniqueismo, já levantada aqui, certo? Bom, eu não acho o livro maniqueista, no seguinte sentido: tanto o “civilizado”, quanto o “selvagem” não são totalmente bons ou totalmente ruins. Mas eu tenho “trocentas” duvidas, justamente, sobre esta “busca da felicidade” que, no final, é um conceito bem construído… O que é ser “feliz”? E para saber valorizar esta tal de felicidade, precisamos alguns drops de infelicidade? Mantem-se, assim, um certo status quo. Ás vezes me pergunto: é mesmo necessário estar insatisfeito? Por que? Ixi, o tico e o teco tão fundindo… Bzus.
PS para maes de adolescentes, pré-adolescentes e afins (kkk): Melhor coisa antes de decidir que rumo seguir: fazer um intercambio, morar noutro país. Ah, e a adolescêncita TAMBÉM é uma invenção… Antes, passava-se direto da infancia para a idade adulta. Ao nomearmos as coisas, elas passam a existir. Ou seria o contrário?
Fevereiro 12, 2008 às 9:23 am
Mercia
Acho que o triste nos faz valorizar o alegre, se não fosse esse balanço em nossas vidas, tudo seria muito sem graça.
beijos
Fevereiro 12, 2008 às 10:09 am
Lys
Legal o post Dani. Achei legal tambem o comentario da Scliar. Mas como a Dani acho que estou mais para Selvagem.
Eh como o Mercia disse. Sinto tambem que precisamos de graca na vida
Esses pontos e contrapontos sao importante. Eh muitas vezes com a infelicidade que aprendemos. Mas isso eh verdade porque conhecemos a infelicidade. E para quem nao conhece ? Sera que ser infeliz eh realmente importante ? Ai eu caio para o lado da Scliar.
No livro, ser privado da infelicidade era considerado como uma punicao para o proprio Mustafa Mond nao era ? E mandar os subversivos (muito bem colocado pelo Alvaro) para a ilha, onde a vida os colocaria em privacoes e dificuldades bem diferentes das que estavam acostumado na civilizacao, na opiniao de Mustafa era uma especie de premio !
Conclusao: Sera que bom mesmo eh ser selvagem ? Ou sera que nascendo civilizado bom mesmo eh a estabilidade emocional ? Sera que essa nossa necessidade de ser infeliz de vez em quando nao eh um tanto absurda ? Afinal, porque temos que ser infeliz es para ser felizes ?
O fato eh que a beleza esta na infelicidade e no desequilibrio. Ja viram que os momentos mais criativos dos artistas geralmente vem em momentos de ultra infelicidade. Porque sera isso ?
Bom… eu estou feliz nesse mundao selvagem mesmo. Prefiro a selvageria ao anticeptico. Mas isso talvez seja apenas porque estou condicionada a achar que o que temos aqui eh o melhor. Quica se tivesse nascido em uma garrafa como uma Beta ou Alfa a minha concepcao de mundo fosse diferente. Quica. Ainda assim eu poderia ser uma subversiva
beijos para todos
Lys
Fevereiro 12, 2008 às 12:14 pm
Engraçadinha
Eu não retiro nem uma vírgula do q vc disse.
Vc resumiu muito bem.
Eu assisti ao filme, não li o livro.
Tenho me atido aos de teor espiritualista.
Se quiser te empresto. Acho q vc ficaria fascinada, porque é o tipo de leitura cujo tema não se esgota e te prende até o último fio de cabelo.
Ultimamente, eu baixo da internet, imprimo e encaderno.
Bem, e os ensinamentos falam que o sofrimento na verdade é uma escola.
Vc realmente resumiu muito bem!
Fevereiro 12, 2008 às 2:12 pm
georgia aegerter
Oi eu estou chegando pela primeira vez hoje e estou me familiarizando com os debates por aqui. Recentemente acabei de ler o livro
A guardia dos sonhos, por Rani Manicka. Vocês já falaram a respeito desse livro? Alguém o conhece? É um livro fortíssimo.
Vou comecar a ler O livreiro de Cabul.
Grande abraco
Fevereiro 12, 2008 às 7:56 pm
Luciane
Dani, bacanérrimo o post
Lys, tiraste daqui, ó, da ponta da língua. No adminirável mundo novo não existe arte justamente por todo mundo é feliz.
Beijo pra vocês!
Fevereiro 12, 2008 às 11:29 pm
Lino
Dani e pessoas:
Os inconvenientes fazem parte da vida, mesmo no ADN. O Bernard é um inconveniente, como os erros são inconvenientes. A discussão, no entanto, é boa. E não é o caso do selvagem, que é infeliz em todos os momentos, como selvagem e vendo o que é civilizado. Na verdade, ele não pertence a nenhum dos mundos, daí sua inadequação.
E Scliar, o livro é maniqueísta, sim. Oferece A e B. E só. Não permite uma terceira opção. Ou é civilização ou barbárie. O problema, como ressaltou a Lys, é de estabilidade emocional, que o Selvagem não tinha. E nem os cidadãos do ADN, devido ao condicionamento. Veja-se o exemplo do Diretor fugindo ao ser exposto ao ridículo.
Fevereiro 13, 2008 às 2:06 am
scliar
Sim, sim, Lino, mas eu estou pegando a questão do maniqueismo por outro lado… na analise interna dos dois pólos: ou seja, que não tem um bem abosulto, nem um mal absoluto!