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Quando propus, para início do Clube do Livro, uma discussão a partir de três indicações – Admirável Mundo Novo, Blade Runner e Next – a proposta vinha embalada na discussão sobre biogenética e os avanços que o setor experimenta, com pesquisas e mais pesquisas sendo feitas nesta área, com o emprego de bilhões de dólares nos mais variados campos.
Os três livros nos mostram o avanço da ciência e da genética de forma diferente, mas têm uma base comum, que é a criação de novos humanos através de processos assexuados. Esta fabricação é mais evidente no livro de Huxley, já que Blade Runner fala de réplicas e Next não chegou, ainda, à criação de novos humanos, vendo-a como uma possibilidade futura. Nos três, a ética da ciência é o pano de fundo, com a discussão se seria ou não moral manipularmos os genes humanos e, como dizem os religiosos, ficássemos bancando Deus.
Acho que a questão da genética e da manipulação das células é um caminho sem volta. Preocupa-me, no entanto, a forma como tudo está sendo feito, não pelo que está sendo feito, mas pelo pouco cuidado tomado e pelo fato de a ciência estar se transformando em um grande negócio. A lógica dos negócios é diferente da lógica da ciência. Esta, pelo menos em princípio, não deveria ter fins comerciais.
O que Admirável Mundo Novo nos deixa, no caso da pesquisa genética, é uma grande interrogação, de até onde devemos ir, o que devemos fazer, o que devemos sancionar e aceitar e o que é inaceitável. Voltamos, aqui, a questão do controle e se ele deve ou não ser exercido e se nesse exercício deve prevalecer um fundo moral.
A pesquisa genética tem um grande potencial e, amanhã, pode de forma efetiva contribuir para nos tornar melhores humanos, prolongar a vida, curar doenças. Mas pode, também, se não houver cuidado – e até o fim do mercantilismo – desembarcar não no Admirável Mundo Novo, mas nos replicantes de Blade Runner que voltam para nos assombrar.
No final, tendo como pano de fundo a discussão da manipulação dos genes, fica sempre a questão de um caminho que deve ser trilhado com cuidado para que não cheguemos ao Admirável Mundo Novou ou tenhamos replicantes totalmente desumanizados ou o mercantilismo que hoje impera na pesquisa genética. É preciso equilíbrio. Só com ele poderemos tirar efetivo proveito desta pesquisa.
A maratona de Admirável Mundo Novo está no fim. Acho que, no final, o livro proporcionou uma boa leitura, contribuindo para o objetivo do Clube, que é diversificar autores e temas. E ao mesmo tempo nos levou a uma reflexão sobre a sociedade que temos, a imaginada e a que podemos ter. Para mim, foi ótimo.
Agora, é esperar o próximo tema. Que venham as sugestões.

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