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Acho que eu devo ser a única aqui no clube que ainda não leu o livro. Comecei essa semana, li umas dez páginas e pretendo acabar a leitura nesse fim de semana.

Os posts dessa semana já deram uma idéia do nível de discussão que vamos ter aqui no clube durante 5 semanas. O Lino comentou de forma muito pertinente, entre outras coisas, sobre a hipocrisia que volta e meia rola quando a discussão é sobre violência contra mulher. Dani nos lembrou da relação existente entre educação e poder, muito evidente no caso da nossa heroína. Ethel enumerou casos em que tribunais paralelos ao sistema judiciário decidem o destino de supostos infratores. Já Ciça nos chamou atenção à razão pela qual Mukthar escreveu o livro, além de nos lembrar que, quando se trata de proteger mulheres vítimas de violência relacionada a honra e tradição, muitas vezes o que impera mesmo é a politicagem.

Então só me resta ler o livro pra poder tentar alcançar o mesmo nível do amigos aqui do clube.

Beijo pra vocês e bom fim de semana.

Uma amiga, muito intelectual, PHD em ciências humanas, letrada, verbada e com cinco universidades perguntou se Mukthar descrevia o estupro no livro. Respondi que sim e ontem (domingo, estou programando o post) ela me chamou de mentirosa. Não havia a descrição do estupro tim-tim por tim-tim.

Ok, desculpe. Atenção senhores leitores: Desonrada não é um livro onde uma mulher conta com riqueza de detalhes (isso naquilo e aquilo nisso) como teve sua flor despetalada por quatro homens seguidamente por horas. Podem tirar suas éguas da chuva pois quando Mukthar saiu do estado letárgico após o estupro clamou por justiça e não piedade. A preocupação dela, sua luta é para que outras tenham apoio e se sintam fortes para lutar contra seus próprios demônios e não chamar atenção da mídia ou da sociedade para sí.

Na tradução em português, ha um prefácio da Miriam Leitão onde ela conta que a ONU, por uma questão de “burocracia”, ajudou o governo paquistão a calar Mukthar Mai dentro de seu país quando essa teve seu direito de locomoção reduzido… fiquei com nojo! A ONU, guardiã do direitos da humanidade… nessas horas percebo o quanto sou ingênua!

Mukhtar Mai, a desonrada do livro de mesmo título, busca justiça. Justiça divina, justiça humana, justiça pública. Há muito que discutir sobre estes vários tipos de justiça – a começar pelo próprio título, pois vale discutir o que é honra e o que não é… Mas isto fica para outro post. Hoje, fico com a discussão da justiça paralela.

Dois pesos, uma só medida
A questão dos tribunais paralelos não é privilégio do Paquistão. Tem no Brasil também. O problema, como fica claro no livro, é que estes tribunais realizam os julgamentos sempre da mesma forma e o resultado só varia conforme a cara do “freguês”. Que freguês é este?

Minorias para todos os gostos

Mukhtar Mai é o símbolo da minoria constituída pelas mulheres – pois são elas que representam o grupo que pode ser vitimizado e brutalizado. Muitos dizem que as mulheres não são minoria, representam 50% da população. Balela. A minoria aqui, é de quem detém ou não o poder. Outras minorias também merecessem ser citadas: crianças, homossexuais, negros e pobres.

E no Brasil…
Charles Wagner, 32 anos, foi julgado e condenado. Pena: morte com 4 tiros.
Olhar para a namorada de um amigo. Traição. Abandonar o marido. Estes são alguns dos motivos que levam as pessoas a buscar uma justiça paralela e as milícias, que rapidamente colocam em ação o julgamento. Tem direito a defesa. O júri conversa entre si. O resultado é um só: pena de morte. Os motives lembram os apresentado por Mukhtar Mai em seu livro, geralmente fúteis, geralmente associados ao relacionamento homem-mulher, mesmo que isto seja apenas uma mascara que encobre outros interesses – posse de terras, territórios para drogas, poder e ganância, simplesmente. Não importa. O que se vê é que o tema sexualidade e relacionamento serve como uma luva para tudo e é socialmente aceito. Me pergunto o porquê.

E o mais estranho, é que os tribunais paralelos, os tribunais de pequenas causas e comunitários surgiram para, justamente, amparar as minorias. Deu no que deu. Mas fica para outro post.

Ethel Scliar
PS: Até bem pouco, aceitava-se no Brasil que um assassino escapasse alegando “legítima defesa da honra”, lembram disto?

Uma pessoa que não lê vive à margem da sociedade… todo mundo já ouviu isso!! Mas pra mim isso nunca foi tão claro quanto no livro! Imagine ser estuprada e não saber que existem leis que a defendem, chegar na delegacia e não saber se o depoimento que você deu é o que realmente escreveram no papel que te obrigaram a “assinar”!!

Não consigo conceber a vida sem ler!! Não só por prazer mas por tudo que fazemos diariamente e requer a capacidade de leitura. A própria Mukthar descobre sua fragilidade na delegacia e o pedido que faz quando querem lhe dar dinheiro é: uma escola!! Sem saber ler as mulheres não obtêm o poder de refletir sobre o mundo, se mantêm sempre sob a “asa” de um parente do sexo masculino.

Acho que isso responde a uma das enquetes feita pelo Lino no blog dele há um tempinho… o que é mais importante pro Brasil crescer? Antes de tudo… acredito que seja a Educação!!!

Este clube é formado, em sua maioria, por mulheres. Daí pode-se depreender que os poblemas femininos estejam sempre em foco. Acho que os homens do clube - eu e o Álvaro - concordamos em que este é um assunto sempre em foco. E do qual nunca é demais se falar.

Como observei há uma semana - Alguns frutos da globalização - os problemas femininos - e não só eles - ficaram mais evidentes com a globalização, ganhando destaque na mídia situações que, antes, não eram faladas. É o caso de Mukthar Bibi, depois conhecida como Mukthar Mai. Ela não se enquadrou na norma tribal de ser violentada, ficar quieta ou se matar.

Nãodireit.jpg. Ela foi à luta e expôs um problema que é quase que milenar em alguns países onde o islamismo é a fé quase oficial: a prevalência da visão masculina que trata a mulher como objeto, podendo usá-la e descartá-la ao seu bel prazer. A questão se prende à cultura, entranhada nos costumes de tribos, agrupamentos religiosos e étnicos espalhados pela África e Ásia.

No Ocidente, a mulher ganhou um outro status e seus direitos avançaram, e muito. Nos setores dominados pelo islamismo - e isso, frise-se, nada tem a ver com religião - a situação é bem outra. Como já disse alguém, a título de brincadeira, a mulher só tem valor como reprodutora e serviçal. Este aspecto fica bem ressaltado no livro de Mukthar.

O que aconteceu com ele - e acontece com milhares de mulheres todos os dias - é altamente condenável e os mídias ocidentais têm mesmo de ressaltar a opressão feminina, seja ela em áreas islâmicas, cristãs, animistas ou sem religião. Só falando e alardeando o que acontece é que a opinião pública se mobilizará e poderá ajudar na mudança da situação.

Neste aspecto, o de tornar público o que ocorre, o livro de Mukthar Mai tem mérito. Do ponto de vista literário, no entanto, ele é muito ruim, muito pobre. O próprio relato poderia ganhar muito maior dramaticidade se fosse conduzido de modo diferente. Não há uma contextualização da situação, não há referências a outros locais. O destaque é para a violência cometida.

E como o próprio livro mostra, ela não acontece só com as mulheres. Também os homens, em disputas tribais e étnicas, são brutalizados, massacrados, mortos. Neste caso, nem homens nem mulheres, têm direitos reconhecidos. Prevalece a lei do mais forte, o talião, o olho por olho, dente por dente. E não importa se a vingança é feita contra homens ou mulheres.

Nós reconhecemos isso. Mas será que o Ocidente realmente se importa? Não é ele, por acaso, o principal financiador do Governo paquistanês, que nada faz em favor dos direitos humanos? Não foi ele quem financiou o Talibã, Afeganistão? Não é o Ocidente que faz vistas grossas à repressão em várias partes do mundo, incluindo a China? Fala, nestes casos, o interesse maior do econômico e do político.

Precisamos avançar. Mas antes de condenar o que os outros fazem - e violar mulheres e brutalizar homens é sempre condenável - é preciso acabar com a hipocrisia ocidental que prega: Faça o que digo, não o que faço. Afinal, a violência contra as mulheres também existe por cá.

A ambicao humana de ser capaz de fabricar, criar ou manipular a sua propria especie eh algo realmente interessante. E isso vem de muito tempo atras. Talvez o motivo pelo qual tenhamos tanta necessidade de “Brincar de Deus” esteja no fato de que temos sim uma pulga atras da orelha sobre a origem da vida de maneira geral. Na minha opiniao eh essa necessidade de entender como a vida eh criada e o que deu origem a nossa propria vida a mola propulsora de todo o desenvolvimento cientifico na area de engenharia genetica e tais.
Huxley em seu livro nega a necessidade de um Deus para dar continuacao a proliferacao da vida na Terra mas uma coisa interessante eh que mesmo no Admiravel Mundo Novo a vida so eh capaz de ser gerada a partir de uma outra vida. Mesmo que os embrioes sejam gerados fora do corpo humano, sao necessarios as coletas de ovulos nas mulheres e a fertilizacao. Eh necessario a semente da vida para que o milagre da vida aconteca. Nesse caso duas sementinhas.

Em um mundo aonde podemos controlar a natalidade tal como no AMN fica facil controlar tambem varios fatores recorrentes da superpopulacao do nosso planeta, tais como poluicao e uma serie de outros problemas ambientais que deixam os ecologistas de cabelos em pe.

A engenharia genetica na vida real foi um pouco alem de Huxley e consegue reproduzir uma vida a partir de apenas uma sementinha, o tao famoso DNA ! Dessa sementinha diz-se ser possivel imitar a natureza perfeitamente, quase igualzinho o que a natureza faz no caso dos gemeos, mas na ciencia damos o nome de clone. Mas para criar essa vida tambem eh necessario a tal sementinha da vida. No AMN os clones se chamavam Bokanovsky e eram considerados tecnologia de ponta. Mas essa nao tinha nada a ver com a reproducao de um ser humano por uma celula apenas e sim a divisao do ovulo em varios, tal como acontece com alguns casos de gemeos na natureza.

A questao eh: O fato de criar uma vida atraves de uma sementinha de vida nos faz capazes de criar uma vida de fato ? Ou isso apenas nao seria uma copia pirateada de vida ? Mas essa eh uma outra historia nao eh mesmo ? Enquanto o rapa nao passar podemos continuar pirateando humanos sem problemas :)

No que diz respeito de criar uma vida do zero, o que significa criar a tal sementinha, estamos longe, bem longe de conseguir na vida real. No entanto ja somos capaz de brincar com as sementinhas e modifica-las. Entao vamos brincar bastante para ver o que conseguimos dessa tal sementinha de humanos e quem sabe brincando bastante na conseguimos entender como criar uma sementinha tambem.

Mas os progressos, apenas modificando a tal sementinha, ja sao muitos ! Se por um lado nao podemos criar, por outro podemos melhorar segundo nossos padroes de o que eh melhor ou pior. Vamos entao tentar fabricar criancas sem predisposicao genetica para doencas fatais. Sim, isso eh bom ! Mas porque nao fabricar entao uma crianca sem predisposicao de doencas nenhuma ? Isso seria a gloria dos pais nao eh mesmo ? E a falencia absoluta dos seguros de saude ! Barbaro ! Vamos fabricar criancas perfeitas entao… mas porque nao fabricar entao criancas de olhos azuis ? Eh tao lindo nao eh mesmo ? Cabelos loiros ou negros ? Podemos escolher ! Vamos purificar a nossa especie ! Vamos nos livrar desse povo doente e feio que infesta nosso mundo com suas debilidades ! Mas quem eh que define um padrao etnico perfeito ? O que eh um ser humano perfeito ?

Mengele

O pioneiro nessa tentativa de purificacao da especie, mais conhecido como eugenia, foi Hitler e nesse caso o engenheiro geneticista renomado foi o famoso Mengele com suas experiencias com humanos. Seus estudos recebeu verba do governo para ser levado adiante pois era considerado de grande importancia para a humanidade. Na tentativa de transformar as criancas judias e portanto imperfeitas em seres perfeitos, assim como os alemaes nazistas, valia ate mesmo injetar tinta azul em seus olhos :) Fantastico. Realmente devo convir que progredimos bastante em relacao a Mengele nao eh mesmo ? Ja nao precisamos mais sacrificar nenhum “ser humano” para fazer experiencias geneticas. Mas podemos criar uma copia para fazer os testes ! E como nao sabemos se clone tem ou nao alma mesmo… porque nao usa-los de cobaia assim como os judeus foram usados ? Bora injetar tinta nos olhos dos clones :) E tudo isso para o progresso da ciencia !

Nem tudo na engenharia genetica eh condenavel. O fato da engenharia genetica criar a possibilidade nao significa que temos que usar essas capacidades nao eh mesmo ? E eh ai que entra o conselho de etica. Para definir ate que ponto eh correto chegar e aonde devemos parar. Mas quem vai ditar as regras ? Infelizmente em nosso mundo o que manda eh o dinheiro e nao tem nada mais tentador do que usar seu dinheiro para purificar o mundo segundo seus proprios conceitos eticos e etnicos. Afinal, ate mesmo Hitler era etico segundo a concepcao nazista nao eh mesmo ?

Eu particularmente acho qualquer tentativa de purificacao da especie uma reproducao absoluta do nazismo. Mesmo que agora ela seja apresentada de maneira um pouco mais anticeptica, assim como acontece no Admiravel Mundo Novo, fabricar humanos perfeitos significa escolher um padrao perfeito. E quem eh que vai fazer essa escolha ? Digamos que historicamente ja sabemos que nao somos muito bons com isso :)

Um otimo domingo a todos !

Lys

Acho que a principal questão na fabricação de humanso é sem dúvida a moral: até que ponto podemos brincar de ser Deus?

Para se descobrir quanto um feto precisa receber de oxigênio para se transformar em um Alfa, quantos Ypisons Menos-Menos foram criados? A ciência trabalha, mais ou menos, na base da tentativa e erro. Estamos prontos para receber os erros no seio de nossa sociedade? Ah sim desculpa, eles não farão parte dela… bobagem a minha!!!!

É tentador ver doenças erradicadas, outros tantos problemas geneticos serem facilmente curados. Seria perfeito chegar ao médico e dizer: “Quero uma menina, com os olhos do pai, mas a minha bunda, por favor. Morena, inteligente com ar aristocrático e gosto erudito. Quando posso vir para a fertilização?”. Ah mana, até pra mim seria um sonho… aqui em casa é só macho! Mas e se por um caprixo da natureza o XX se transformasse em XY? Impossivel.

Cientificamente impossível de acontecer, mas humanamente possível! O desgramento responsável pela manipulação genetica cometeu um erro, e eu gerei mais um menino. “Tem garantia doutor?”

Estamos prontos para amar os seres que fabricamos?

Hoje era o meu dia de escrever algo sobre o tema “Fabricacão de humanos”. Passei uma boa parte do meu tempo pensando sobre o que escrever, depois de todos essas semanas de discussão sobre o livro.

Matutei, matutei e não cheguei a conclusão nenhuma. Apesar desse tema e do livro terem sido muito apreciados por mim, eu  realmente não tenho mais nada a acrescentar. Por enquanto, ainda somos criados a partir de uma ato muito humano, que se nem sempre é de muito amor, é invariavelmente de muita, digamos, tensão. Pra mim tá bom assim.

E o resto já foi dito.

Então, amigos, eu só tenho a desejá-los um ótimo fim de semana. Um fim de semana de muita alegria e descanso.

mulher ocaCADA UM EM SEU LUGAR
Admirável mundo novo, com sua construção de corpo e mente, determinando castas e funções para manter a estabilidade social. Mais admirável ainda, quando o avanço das biotecnologias colocam em xeque algumas certezas. Parece “natural”, “normal” e “desejável” que a ciência contribua para um mundo melhor. O problema? Definir o que é este melhor.

DESIGNER BABYS: OS BEBÊS PROJETADOS
Valorizar o normal, ou o diferente? Aceita-se, de fato, a diversidade? As biotecnologias promovem a inserção ou a exclusão? Muita gente considera aceitável, até mesmo desejável, o uso de técnicas para implantar embriões sem problemas genéticos. - Vade retro satanás, isto não é eugenia!, clamam. Mas, e se a escolha for determinante para selecionar o gênero, como ocorre na China? Qual o avesso da ciência? Sandra Duchesneau e Candy McCullough, surdas de nascença, buscaram um banco de sêmen para fazer inseminação artificial. Queriam um filho surdo. Não conseguiram no banco, mas um amigo fez a doação. Afinal, a surdez pode ser uma opção de vida? E quanto à Síndrome de Down? Casal com filho com Síndrome de down recuso
u-se a fazer o teste para descobrir se o segundo filho era portador também. Disseram que isto significaria uma rejeição ao primeiro. E assim, tiveram o segundo filho – com Down também. Você optaria, como eles, por um bebê com estas características?

QUANTO VALE UM SER HUMANO
Quando nasceu Louise Brown (1978), começou a discussão sobre até onde poderiam ser realizadas tais intervenções. Tudo em prol da ciência! Na seqüência, surgiu o Banco de Esperma de Gênios (Repository for Germinal Choice), criado por Robert Klark Graham no final da década de 1970. Graham convidava ganhadores de prêmio Nobel, desportistas e artistas famosos. Depois, oferecia por catálogo os espermas, descrevendo suas qualidades. O projeto de Graham teve forte impacto e abriu as portas para que os casais pudessem, ativamente, selecionar o tipo de doador que gostariam ter – e pagar. Quanto a Louise Brown, um detalhe: a mãe fez um contrato de cobertura exclusiva com o Daly Mail pela bagatela de US$ 550 mil. Ou seja: as relações econômicas sempre andam de mãos dadas com a ciência – e é isto que provoca arrepios.

E se você não pode escolher o gene de seu filho, escolha ao menos um bichinho de estimação geneticamente transformado:

BICHANO

É um luxo para Alfa nenhum botar defeito.
Para finalizar, uma frase de Boaventura de Sousa Santos, em seu livro Para um novo Senso Comum,
“Há um desassossego no ar. Temos a sensação de estar na orla do tempo,
entre um presente quase a terminar e um futuro que ainda não nasceu.”
Qual o futuro que você deseja e está construindo?

*Cortesia de Ju, em desemburrecendo.

Como médica não digo que não acho interessante a idéia de fabricarmos seres humanos!! Já pensou acabar com as doenças congênitas como síndrome de Down, diabetes, entre muitas outras?!!? Mas aí vem aquela história… como vamos escolher o que acabar e o que não acabar?!? Quem vai ter o poder de escolher isso?? E, ao mesmo tempo, até que ponto vamos produzir seres humanos e não máquinas?!!?

Uma coisa que me espantou no livro, logo no começo, foi quando explicam pros novos “alunos” na fábrica sobre a produção de gamas e deltas. Sobre como eles fornecem pouco oxigênio ao feto para que já nasça com déficit mental e, assim, seja apto a fazer o trabalho de um “ser inferior”. Além disso submetem os fetos a condições adversas que serão úteis ao seu futuro emprego, como calor extremo, frio, tremores, entre outros.

Não sei se a nossa sociedade está preparada para a produção de humanos!! Mas me atrai muito a idéia de produçao de órgãos humanos para transplante, para ajudar pacientes paralíticos, diabéticos, cardiopatas. Só acho que deve ser uma lei mundial regulamentando essa área da medicina.

E vocês, o que acham da produção de humanos?!?

mukthar.jpgA questão do feminino e dos direitos das mulheres ganhou, a partir da globalização, uma nova ótica. Se de um lado nas chamadas democracias ocidentais há - pelo menos devia haver - a prevalência da lei civil, que oferece mais proteção às mulheres, no Oriente, na África e na Ásia ainda se misturam a lei religiosa e a civil, com a primeira predominando, o que leva a quase exclusão das mulheres da sociedade.

Tomemos o caso de Mukhtar Mai, a paquistanesa que foi estuprada por homens de um clã vizinho, mais poderoso. O que ela fez? Não importa. O que se destaca é o fato de os homens, em uma sociedade tribal, estarem acima das leis civis, podendo dispor da vida de todos, mas principalmente das mulheres, que não são consideradas cidadãs e, muito menos, pessoas.

Este exemplo, que ganhou destaque mudial, mostra que a opressão às mulheres é uma prática comum. Neste tipo de sociedade, elas estão depois dos objetos domésticos, que têm mais valores que elas. Hoje, sabemos disso. E o sabemos graças à globalização. É um dos bons frutos que a mundialização nos trouxe.

Graças aos meios de comunicação, que miram no diferente, no inusitado, tomamos conhecimento da violência contra as mulheres, notadamente em áreas de domínimo islâmico e na África. O noticiário e a mobilização das organizações de defesa dos direitos humanos, que fazem, com justa causa, um considerável barulho, funcionam como pressão de fora para dentro para que países adotem legislações civis e punam qualquer violência contra as mulheres.

Há, em relação à postura masculina nessas áreas, uma outra consideração, já que se apegam a religião para justificar o que, no Ocidente, consideramos um comportamento bárbaro. O islamismo é uma religião igualitária. O Corão trata homens e mulheres iguais. Por princípio, então, a postura masculina teria de ser diferente. Mas não é. Entra neste caso uma tradição machista, que coloca a mulher à margem, não lhe dando voz nem direito.

A situação das mulheres em culturas onde este tipo de comportamento é dominante persiste há anos, talvez mesmo há séculos. Antes, restrita às sus aldeias, aos seus países, acabaou ganhando foco com o olhar ocidental graças à globalização. Em busca do diferente, do exótico, a mídia descobriu um outro mundo.

E aos descobri-lo acabou levantando o véu da repressão feminina, indignando a sociedade ocidetal e fazendo com que, a partir de exemplos chocantes, como o de Mukhtar Mai, houvesse uma ampla cobrança por mudanças. Elas estão ocorrendo, fruto da pressão dessa mesma globalização, mas são lentas. Aliás, como toda mudança de cultura.

É por isso que é importante discutir a questão, que nos leva aos direitos da mulher no próprio Ocidente, onde têm muito mais liberdade, mas ainda sofrem vários tipos de limitações. Só falando destas questões é que vamos contribuir para que ganhem visibilidade e, com isso, sejam enfrentadas.

É exatamente isso que este Clube do Livro está fazendo. A partir do exemplo de Mukhtar Mai vamos colocar algumas luzes sobre a questão feminima, discuti-la e constatar, no final, que há ainda um longo caminho a percorrer.

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ADENDO DA LYS
Apenas uma observacao aqui no post da gloriosa Cissa - na verdade, do Lino - para quem queira comprar o livro para acompanhar as discussoes aqui no clube:

Proximo livro a ser discutido no Clube do Livro é o Desenrada (In the name of Honour) de Mukhtar Mai.

Esse livro pode ser comprado por exemplo no Estante Virtual por 39,90 reais. Para quem mora fora do pais, na Amazon custa aproximadamente 10 dolares. Eu nao encontrei em nenhum lugar para download gratuito mas se alguem souber de algum link manifestem-se !

Eh isso ai moceda. O Clube do livro vai mergulhar de cabeca no mundo oriental :)

(Editado pelo Lino)

Peguei os ultimos capitulos do livro as 10 da noite e já eram duas da manha quando acabei. Não consegui parar, não consegui desviar o pensamento… tanto que só lembri de tomar meu anti-concepcional hoje de manha. Se uma admirável vida nova aparecer em mim nas próximas semanas a culpa é do herege do Aldous.

Herege pra não dizer coisa pior. O cara não “montou” nenhum mundo novo. Ao chegar ao ponto onde Lenine e Bernard (o nome da mulher vem na frente propositalmente) vão para a reserva selvagem, as criticas a nossa atual sociedade ficaram evidentes. Esse um montou um mundo onde ele, homem, seria feliz comendo quem bem entendesse, livre de culpas e compromissos. Ora que lindo seu menino.

Se o mundo era perfeito, pq fui obrigada a me confrontar com um herói patético? O o John? Um selvagem… realmente um selvagem… um animal em todos os sentidos. Lenina uma mulher superficial desesperada em ser magra, horrorizada com a gordura e feiura da Lisa. Esse mundo não tinha nada de novo, mas é admirável. Pergunta: vc viveria em um mundo assim.

Algumas partes do livro que grifei:

“Aqueles que se sentem desprezados fazem bem em ostentar um ar de desprezo.”

“- Mas Fanny, você realmente quer dizer que durante os próximos três meses não vai…” - reticências? Moralismo na terra onde todos são de todos?

“Os bem intencionados comportavam-se da mesma forma que os mal intencionados”

Estão vendo? Desprezo, vergonha, moral… tudo vive nesse mundo novo. São conceitos natos a meu ver. Não precisam ser ensinados. O individuo nasce com ele e os modela durante toda a vida de acordo com o meio onde vive.

Finalizando, para mim ficou bem claro, inclusive nas palavras do próprio diretor geral:

“A felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as supercompensaçoes do sofrimento. E, por certo, a estabilidade não é nem de longe tão espetacular com a instabilidade.”

Isso se torna claro quando multidão de civilizados se juntam ao pé do farol onde foi se esconder o Selvagem, para ver seu espetaculo de auto-flagelação. Civilizados?

… apenas partem antes de nos.

Monet

Querido Alvaro, sinta-se abracado por todos seus companheiros do Clube do Livro.

Para finalizar meus posts em tema livre, escolhi um tema que me intrigou durante toda a leitura do livro. Pouco se comentou sobre isso aqui no Clube portanto vou propor o tema novamente ate chegarmos ao climax da questao :) . Vou dividir com voces minhas impressoes sobre a questao sexual proposta pelo livro Admiravel Mundo Novo.

No mundo civilizado as pessoas sao livres para fazer sexo sem o compromisso de amar. Amor, assim como conhecemos no mundo dos selvagens, eh algo profano e que so existe mesmo entre a selvageria. O conceito de familia nao existe e com isso a procriacao perde seu sentido em absoluto.

Em principio podemos questionar (e ate questionamos em algum post) a intensidade e qualidade do sexo no AMN. Eh facil pensar que em um mundo anticeptico o prazer seja uma coisa inconcebivel. Mas quem foi que disse que prazer esta relacionado com procriacao ou com amor ? Sera que realmente uma coisa tem a ver com a outra ? Acho que esse eh um conceito valido apenas para pessoas “romanticas”. Fora disso, apos a invencao do anticoncepcional, sexo eh sexo e ponto final e nao precisa ser civilizado para concordar com isso.

Sexo no Mundo Novo

O fato eh que no Admiravel Mundo Novo todos sao livres para experimentar sexualmente o que quiser com o simples pretexto de que “todo mundo eh de todo mundo”. Algo que na selvageria que conheco parace bastante com o que chamam de “relacionamento aberto” se eh que isso de fato existe. O problema eh que entre os selvagens tambem aprendemos que em um mundo onde “todo mundo eh de todo mundo”, ninguem de fato eh de ninguem. E como bons selvagens temos horror de nao “ser” de ninguem e muito mais horror ainda de ninguem “pertencer” a nos. Mas como eu me considero selvagem, condicionada por minha visao profana e romantica de familia, nao cabe a mim julgar o sexo dos civilizados.

O problema eh que nesse momento podemos chegar a pensar que no Admiravel Mundo Novo, sem o papel da procriacao e da familia, as diferencas entre sexos nao faria absolutamente sentido nao eh mesmo ? Afinal que diferenca ha entre os homens e as mulheres sem esses conceitos profanos e selvagens ? E como podemos colocar as palavras civilizacao e desigualdade em uma mesma frase ?

Tudo bem… ja sei que nesse mesmo instante apareceu um balaozinho na sua cabeca com a seguinte mensagem: “La vem aquela chata feminista arrumar confusao novamente”. Juro que esperei ate o ultimo momento pois nao queria ter que ser eu a notar esse detalhe. Mas tambem nao posso deixar passar meu povo. Devo contar a voces minhas impressoes e essa foi uma das que achei mais interessantes.

O fato eh que, ao ler o livro estamos tao condicionados e acostumados com o papel secundario da mulher que nem reparamos alguns detalhes importante e muitas vezes nos enganamos profundamente a respeito do termo igualdade de sexos. No Admiravel Mundo Novo a igualdade entre a mulher e o homem acaba na liberdade de fazer sexo com quem bem entender.

Na questao de igualdade dos sexos o Admiravel Mundo Novo eh bastante semelhante ao mundo dos selvagens. Afinal, voce chegou a ver alguma alfa mulher em qualquer ponto do livro ? Lenina era Beta assim como sua melhor amiga. A mae profana tambem era Beta. E mesmo que uma mulher alfa tenha escapado aos meus olhos, o que duvido muito pois meus olhos sao atentos a essas coisas, nao havia absolutamente nenhuma mulher envolvida em trabalhos de primeiro escalao e muito menos nos assuntos mais intelectuais.

Ao contrario da inteligencia, Huxley emprestou as mulheres civilizadas a futilidade e a falta de amor proprio, chegando a se tratar como verdadeiras “carne de acougue” nao so por elas como pelos homens civilizados. E isso era legal ! Boas mesmo eram as mulheres lindas e perfeitas. Essa parte era agressiva ate mesmo para um selvagem, mas a questao citada no paragrafo acima passou completamente despercebida ate mesmo pelo nosso esperto e sensivel Selvagem romantico.

Mas voces acham que Huxley fez de proposito ? De jeito nenhum. Provavelmente ele nem tenha percebido. Afinal, o que tem de mal nisso nao eh mesmo ? Que diferenca faz ter uma alfa mulher ou nao ? Essas feministas… ai ai ai. Acham problemas em tudo !

Sera que mais uma vez a minha visao profana de selvagem me impede de ver a igualdade dos sexos no mundo civilizado ? Ou sera que nao ha lugar para a igualdade feminina nem no meio da selvageria e nem na civilizacao ? Uma coisa eh fato, sou uma subversiva (como definido pelo Alvaro aqui) em ambos os mundos. Sera que terei que apelar para a forca ? :)

Quando eu li Brave New World pela primeira vez, eu o fiz pra cumprir com uma tarefa escolar. Todo mundo já passou por isso, certo? O professor escolhe um livro e todo mundo tem que ler e discutir o bendito. Nem preciso dizer que essa obrigacão de ler um livro não me agradou nem um pouco. Mas li, fazer o que?, e não gostei muito do livro. Achei meio datado, com a paranóia do perído entre-guerras e principalmente cientificamente atrasado. Me refiro à forma como as pessoas eram criadas, alterando as condicões ambientais às quais os “bichinhos” eram expostos. A descoberta do DNA só seria feita décadas depois do lancamento do livro. Reler Brave New World, entretanto, me deu a chance de reavaliar os meus conceitos a respeito dele e de seus personagens. Um personagem, por exemplo, que me chamou bastante atencão dessa vez foi Bernard Marx.

Ele nasce em uma sociedade de castas, em que as pessoas são criadas com cópias,  não devem ficar sozinhas mas sim devotar seu tempo a atividades coletivas, devem consumir o máximo possível, não ter parceiros fixos, etc. Tudo isso em nome da estabilidade. Mas principalmente, elas não devem sentir-se infelizes. A profilaxia da felicidade se faz através de doses regulares da pílula chamada soma, a qual já foi discutida aqui no blog. O que acontece com Bernard Marx, um cara chato e com complexo de inferioridade,  é que ele não se sente feliz e não quer tomar o soma. Além disso, ele quer ter o direito de ficar sozinho. Ou seja, ele é a antítese do cidadão socialmente normal.

Voltando ao livro, e pra encurtar a história, Bernard Marx acaba recebendo autorizacão para visitar a reserva habitada pelos selvagens - os não-civilizados. Nessa lugar ele acaba ficando com uma mulher nascida civilizada mas acabou sendo levada a morar entre os selvagens. Essa mulher, por sua vez, tem um filho, nascido na reserva e que sonha em viver entre os civilizados. Quando ele finalmente concretiza seu sonho, os valores do mundo onde ele vivia e do mundo novo colidem, resultando em um catastrofal choque cultural. Bernard Max é a ponte entre esses dois mundos e, no final das contas, acaba sendo banido por seu comportamento não conformista.

Só por essa trama, o livro já vale a pena ser lido. Se da primeira vez que li o livro, me liguei à parafernália tecnológica e àquele mundo anti-utópico, e achei o livro um tanto chato, dessa vez me chamou mais atencão o conteúdo socio-psicológico super atual. Quantos Bernards conhecemos realmente? Que preco se paga, quando se escolhe o não-condicionamento? Qual a interferência da tecnologia nas relacões entre as pessoas e os conceitos de felicidade?

Dessa vez então eu recomendo a leitura e fico grata de ter surgido a oportunidade de reler esse clássico.

Abraco  pra vocês!

bandeira brasileiraVou retomar um dos fios do Admirável Mundo Novo, que já foi abordado aqui: a questão do controle da informação, da estabilidade e do poder ditatorial. Mustafá Mond, discutindo com o Selvagem, pondera: “Nós acreditamos na felicidade e na estabilidade. (…) Sete horas e meia de trabalho leve, de modo algum exaustivo, e depois a ração de soma, os esportes, a cópula sem restrições e o cinema sensível. Que mais poderiam pedir?

Em fevereiro, tem carná…
Faltou acrescentar carnaval e futebol, em fevereiro, tem carná…
Por isso, me espanta a bandeira brasileira: ordem e progresso. Mas dá para ter progresso com ordem? Para mim, o progresso sempre foi associado, justamente, com um ligeira desordem, aquele desequilíbrio que impulsiona a superação. Justamente o que o Admirável Mundo Novo quer impedir, mantendo a estabilidade e o status quo. Castas felizes – e sem mobilidade. Na ditadura assim era, assim seria. Campeões do mundo, feliz, 80 milhões em ação, salve a seleção. Mas nos jornais, censura rígida. Tudo
em ordem, na santa paz da casa. Afinal, a classe média clama por ordem – conheço bem, faço parte dela.

Big Brother nas esquinas
Não quer perder o pouco que tem: cadê a coragem para abrir mão do carro, do sonho da casa própria, da escola particular e de outros símbolos desta casta? Que venham as câmeras, vigiando ruas, casas, lojas e supermercados. Que venham as grades nas janelas e os espaços de lazer confinados.

Admirável Brasil Novo
Mas um professor, no fundo do seu inconsciente, perdeu um milhão ao responder: na faixa da bandeira está escrito Ordem OU Progresso.
Foi no Show do Milhão, do dia 21 de fevereiro de 2002, e a resposta foi dada pelo professor aposentado Jair Hermínio da Silva. Errada? Acho que ele respondeu certo.

Troquemos a bandeira! Só não sei o que colocaríamos no lugar para representar este Admirável Brasil Novo. Aceito sugestões.

“Você não tem o desejo de ser livre Lenina? (…) Eu sou livre, livre para me divertir…”

Quando li essa parte do livro parei, marquei-a e fiquei pensando… a impressão que tive (e ainda tenho) é que Bernard quer saber se ela não tem vontade de se sentir só, de sentir medo, tristeza e vários outros sentimentos que, se não proibidos, são quase heréticos no Admirável Mundo Novo. Quase no final do livro, na conversa do Selvagem com Mustafá Mond, o administrador explica o S.P.V. (Sucedâneo de Paixão Violenta) como “o equivalente fisiológico do medo e da cólera. Todos os efeitos tônicos de assassinar Desdêmona e ser assassinada por Otelo, sem nenhum dos inconvenientes.” O Selvagem prontamente replica: “Mas eu gosto dos inconvenientes”

Daí parei pra pensar… nossa vida se resume à busca pela felicidade… queremos ter amigos, família, filhos, casa, um amor e, basicamente, ser felizes!! Ou não?!!? Falo por mim… adoro os grandes (e os pequenos) momentos de felicidade da minha vida!! Mas o que faria se fosse feliz o tempo todo?!!? Como aprenderia, cresceria e, principalmente, como saberia reconhecer a felicidade?? Não que goste de ser infeliz!! Com exceção de algumas poucas pessoas, acho que ninguém gosta de ser triste!! Mas acredito que momentos de tristeza são importantes pro nosso crescimento pessoal e espiritual!! Assim como os momentos de solidão, introspecção (coisa que não existe no AMN!!) e insatisfação!! Esses momentos nos fazem descobrir quem somos de verdade e o que queremos da vida!!

Então, eu concordo com o Selvagem… eu quero os inconvenientes!!! E você, o que acha?!!?

Enquanto isso ocupo meu tempo, entre outras coisas, a pensar qual tema colocarei no Clube. Quais livros. Que tema domino bem tem pelo menos três bons titulos para serem escolhidos? nao preciso nem pensar duas vezes: parto e amamentaçao. Égua, colocar Lino e Lys para ler Michel Odent ou Janet Balaskas seria, como posso dizer, cruel. Tadinho deles. Não farei isso.Outro tema quem em interessa? Criação de filhos. Ah não esquece. Até eu já cheguei a conclusão de que esse tipo de literatura só serve para torturar os pobres dos pais com possíveis e pseudo traumas futuros de seus filhos ou ainda para livrar nossa consciencia da culpa dos filhos serem as éguas que sao. Deus me livre!

Deus??? Jesus seria uma ótima opção. A Operação Cavalo de Troia nos trás um Jesus lindo, humano e fala de um Deus exclusivamente feito de bondade e amor. Mas será que o povo saberá separar Deus de Igreja? Fé de religião? Uhhh como diz o ditado: religião, política e futebol não se discute!

O que faço então??? Lançar um tema, propor uma discussão depois do Lino não é nada fácil! Ok, entao vamos falar de uma coisa mais amena: a violencia contra a mulher! hehehe… foi ironia!

Por séculos e geracoes ela foi posta como submissa, inferior e deveria se dedicar ao marido e aos filhos. A Bíblia ensina isso diversas vezes. A Bíblia… escrita a milhoes de anos atrás, em uma época bem diferente da de hoje. Todo mundo sabe disso. Nao é verdade? Ninguém mais discrimina um ser humano por conta de seu sexo. Quem é louco de dispor uma mulher de forma brutal e desumana? Quem será bisonio a multila-las, corpo e alma? E qual será sua única saída: a voz!

A denúncia de mutilação genital das mulheres somalis é o grandioso objetivo da obra Flor do Deserto. Através de sua biografia, a modelo africana Waris Dirie, atravessa as fronteiras da Somália e mostra ao mundo o lado grotesco de sua cultura. Waris conta que foi mutilada aos cinco anos de idade, numa espécie de rito de passagem.O relato impactante mostra a crueldade e o preconceito aos quais são submetidas as meninas somalis. Seus clitóris são extirpados com objetos rudimentares, como facas, tesouras e lascas de pedras, sem preocupação com higiêne, pondo em risco milhares de vidas. A cultura de seu país atribui à genitália feminina o estigma do mal, por isso toda filha mulher é submetida a ritual de mutilação. A modelo relata sua saga pelo deserto da Somália, fugindo da tirania do pai, cuja mentalidade cultural, permite não só a mutilação, como a escolha do marido para a filha. A menina Waris foge,ainda sangrando para Mogastício a pé, enfrentando animais selvagens e areias escaldantes por 500Kms. A provação de Waris é recompensada em parte, fora do seu país e longe das imposições de sua cultura, ela se torna uma modelo conhecida internacionalmente, o que lhe permite denunciar ao mundo a bárbarie a que são submetidas as mulheres somalis.Hoje Waris é embaixadora da ONU e responde por assuntos que denunciam a crueldade contra as mulheres de seu país. (Fonte)

Este livro conta-nos a atroz história de Mukhtar Mai, uma jovem paquistanesa de 28 anos que vive numa aldeia no interior do país. É em Junho de 2002 que um auto-intitulado tribunal da aldeia se reúne e condena a jovem a uma terrível sentença: Mukhtar é condenada a ser violada. O crime de que é acusada é ter de pagar pelo facto de o seu irmão mais novo, de apenas doze anos de idade, ter sido visto com uma rapariga de outro clã. Depois de violada, humilhada, desonrada esta jovem podia ter optado, como o fazem tantas outras em circunstâncias idênticas, pelo suicídio. Em vez disso decide, corajosamente, permanecer na sua aldeia e dar a conhecer ao mundo inteiro, apesar dos riscos que isso implicava, a atrocidade de que tinha sido vítima. Mais tarde construiu uma escola na sua aldeia pois segundo defende só a Educação poderá ajudar a acabar com situações destas. (Fonte)

A escolha por esse tipo de violência a mulher, de certa forma ligada a religiao e tradicao, nao é a toa. Vivo na França, mas conto nos dedos de uma única mão os franceses “puros” que conheco. A maioria sao árabes, marroquinos, mulcumanos e afins. Eles vivem aqui como em guetos. Nao falam com “os outros”, suas criancas nao participam de festinhas, estao sempre fechados em sua sociedade. Me dá arrepios ao pensar do que essas mulheres escaparam no país delas… ou não!

P.S: por motivos técnicos, não achei um terceiro livro para colocar na roda. Se alguém souber, fique a vontade!

Talvez a cura para as mazelas da humanidade realmente esteja no SOMA, afinal, que bom seria se pudessemos ter, ao final de um dia exaustivo de trabalho, nossa porcao de SOMA para poder deitar a cabeca no travesseiro e dormir em paz.

Teve problemas no trabalho ou com o vizinho ? Brigou com o namorado ? Esta muito estressado ou cansado ? Seus problemas acabaram ! SOMA ira resolver todos seus problemas ! Que tal umas Ferias de SOMA ? Pode tambem ser uma SOMAterapia. Nao acredita que existe ? Pois clique no link ao lado para ver com seus proprios olhinhos ! Mas infelizmente essa SOMA que esta a venda eh apenas um simples relaxante muscular :) .

Aparentemente sem efeitos colaterais SOMA (a do livro) eh capaz de nos fazer deixar a realidade de lado e viver em um mundo paralelo aonde tudo eh perfeito e prazeiroso. Afinal, como ja dizia muito sabiamente Scarlet Ohara: “Amanha sera um novo dia !”. Mas calma meu povo, pois doses exageradas de SOMA pode levar a morte. Assim como aconteceu com a mae, figura profana, do Selvagem.

Pode parecer estranho e corro o risco de ser acusada de herege e ser queimada na fogueira, ou entao agora voces vao descobrir que sou maluca de pedra e sem solucao, mas duas passagens do livro aonde o autor falava do consumo do SOMA me fizeram lembrar rituais religiosos. A primeira se da quando Bernard, ainda bem no comeco do livro, capitulo 5, participa de uma especie de consumo de soma em grupo. Os participantes entravam em uma especie de transe aonde podiam escutar e ver Ser Supermo (no caso Ford). E gritavam com a mesma forca que os evangelicos fazem em suas igrejas ao ver e sentir a presenca de Cristo. Bernard aparece no papel do cetico.

A segunda vez quase me mata de rir ao ver a distribuicao de SOMA sendo feita exatamente como se fosse a distribuicao da hostia sagrada em uma igreja catolica. Isso se passa no capitulo 15 e a cena eh interrompida pelo proprio Selvagem que entra de maneira gloriosa e dramatica prometendo a salvacao dos probres miseraveis. Apos o controle da situacao e a crucificacao do infiel, e apos o consumo da “hostia” pelos Deltas fieis,  todos se confraternizaram e se abracaram, so faltavaram falar “A paz de Cristo!”.

Nao sei se havia alguma intencao no livro em fazer essa correlacao, mas eu acredito que a religiao a maioria das vezes eh usada como valvula de escape, assim como o SOMA. Eh facil responsabilizar o outro, no caso um ser supremo, por nossas mazelas e nos conformar com a situacao que vivemos. Nesse aspecto a religiao eh a garantia de estabilidade que um mundo desequilibrado e injusto necessita. A unica maneira de uma pessoa permanecer morrendo de fome ao lado de outra que joga comida fora eh instituindo o medo de ser queimado no fogo dos infernos. Nesse mundo onde nada eh justo so mesmo a religiao para manter o conformismo e a estabilidade.

Karl Marx ja dizia que “A religiao era o opio do povo” nao eh mesmo ? Pois entao acho que Huxley concordava com isso. De fato, “a religiao eh o SOMA do povo”.

Uma coisa eh fato, dificil mesmo eh encarar a vida como o Selvagem e viver nesse mundo sem nossa SOMA !

Um rápido estudo de “O admirável mundo novo” nos remete a um conceito que, no Brasil, foi usado à exaustão entre 1964 e 1985, quando se encerrou o ciclo conhecido como Regime Militar: subversão.

Sim, porque “o Selvagem” foi um subversivo. Da mesma forma como tentaram ser, e não conseguiram, Helmholtz e Bernard que, em vão, procuraram entender aquela criatura retirada de um antro perdido no meio do (quase) nada e levado para a civilização junto com sua mãe (que coisa imoral!).

O que é ser subversivo? Vamos a um conceito: “o termo subversão (daí, subversivo) está relacionado a transtornos, revoltas, principalmente nos sentidos ético e moral. A palavra está presente em todos os idiomas de origem latina, e era originalmente aplicada a diversos eventos, como a derrota militar de uma cidade. Já no século XIV era usado na língua inglesa com referência a temas de direito e, no século XV, começou a ser usado relacionado a reinados. Esta é a origem de seu uso moderno, que se refere a tentativas de destruir estruturas de autoridade. Portanto, o conceito moderno de subversão se refere a algo clandestino, como erodir as bases da fé no status quo ou criar conflitos entre pessoas”.

Quando o regime militar foi instalado no Brasil, ele desprezou as leis. Foi justamente por isso que seus opositores agiram ao arrepio dessas mesmas leis. O que gerou uma luta interna onde, de um lado, o Governo, investido nas funções de detentor do controle do Estado, procurava manter intocado o poder e, de outro, os opositores, subvertendo ou tentando subverter a ordem estabelecida, lutavam para derrubar o Governo e dar outra conformação ao Estado.

Em “O admirável mundo novo”, a hipotética sociedade imaginada por Aldous Huxley cria um Estado multinacional onde as estruturas são rígidas como são hoje ou foram ontem as que detiveram o poder de Estado em grande parte dos países americanos, aí incluído o Brasil. E, como nos casos reais, no Mundo Novo a contestação não pode ser admitida, sob o risco de colocar em ruína a estrutura criada para que os cidadãos fossem todos “felizes”.

Por isso, tanto no mundo imaginário quanto no mundo real, é preciso censurar a produção intelectual. Por isso, tanto no mundo imaginário quanto no mundo real, é necessário que as pessoas se distanciem o máximo possível de situações que possam levá-las a questionar a estrutura do Estado. A ditadura fez isso no Brasil com o uso de muita propaganda, com o adesismo de grande parte dos meios de comunicação de massa (note que no livro de Huxley o Estado também detém o poder sobre a produção de informação) e com a ajuda da censura. No caso de Huxley, bastavam algumas frações de grama de soma para idêntico efeito.

>A Doutrina de Segurança Nacional classificava os subversivos de acordo com a ideologia. Era a época da classificação de “guerra subversiva”. Para os detentores do poder, essa contestação tinha as seguintes características: 1. Era conduzida nos pressupostos do marxismo-leninismo; 2. Pretendia, em última análise, a implantação do comunismo; 3. Utilizava uma amplitude de meios e processos, que vão da guerra convencional à guerra subversiva, ou simples aspectos de guerra fria, ou mesmo, o mero esquema de agitação/propaganda (…)”. 4. Praticava o desenvolvimento lento, baseando a sua estratégia na guerra prolongada e no esgotamento da ordem constituída (…)””.

Mustapha Mond não precisava se preocupar com o lado político-ideológico do “Selvagem”. Mas como ele sabia que “a estabilidade não é, nem de longe, tão espetacular como a instabilidade” e como, também, “toda mudança é uma ameaça à estabilidade”, o fato de seu mundo agredir ética e moralmente os valores que aquele “Selvagem” havia trazido de seu cantinho particular, era absolutamente irrelevante. Da mesma forma como interessava pouco aos regimes militares instalados no mundo real da América do Sul nas décadas de 1960 e 1970, saber o que pensavam e por que lutavam os esquerdistas. Cabia apenas combatê-los, como coube a Mond eliminar a contestação.

É simples, não? No mundo real, a oposição foi ganhando corpo, número e os estados autoritários caíram. No mundo imaginário, nem Helmholtz nem Bernard tinham estrutura, sobretudo emocional ou ideológica para iniciar um movimento contestatório. Daí porque, ao “Selvagem”, não restou alternativa que não fosse a da corda da forca. Um epílogo literário previsível.

Passei quase que a tarde inteira escrevendo um post sobre como foi reler esse livro agora, quase 15 anos depois de ter lido pela primeira vez. No final das contas resolvi dar uma olhadinha no you tube sobre o que havia sobre o Brave New World. Achei esse depoimento do próprio Aldous Huxley, com legendas em português, e que vale muito a pena dar uma olhadinha. Reparem que o cachorro que aparece no vídeo é uma alusão aos “cachorros de Pavlov”, experimento que foi a base para a teoria sobre o condicionamento clássico e que veio a influenciar uma escola psicológica muito na moda na época em que Huxley escreveu o livro e muito viva até hoje. A Lys já escreveu sobre isso aqui.

Curto e conciso. O meu derradeiro post sobre esse livro, guardo pra próxima semana.

Beijo bom fim de semana pra vocês.

Não estou acompanhando direito a discussão aqui para nao me deixar influenciar. Quero pensar com minha cabeça. Devo ter esse potencial guardado em algum lugar por aqui. Estou no capitulo nove, segundo o Lino quando começa a se expor a civilização, não civilizada… Tá bom, eu leio os post mas não discuto. Tento pensar sozinha sem influencias. Oh gente, dá um crédito, vai!!

Bom, não sei se vi civilização até onde li, talvez esteja precisando mesmo mudar meus conceitos, porém devo confessar que quando pego o Admirável Mundo Novo, um égua de bichinho desgramento fica martelando minha cabeça com a maravilhosa possibilidade de tudo aquilo ser verdade, com algumas modificações básicas, naturalmente. Eu sei… joga pedra na Ciça. É uma égua mesmo. Meu povo, entendam: no momento sou uma mae a beira da loucura com um filho de 15 anos precisando, porém sem maturidade, decidir o que fazer da vida sendo esmagado pelo sistema. O mundo para quem sabe o que quer é relativamente fácil, mas para os que precisam de um pouco mais de tempo para decidir… tadinhos. E nesse contexto, juro nem me importar muito com uma rápida manipulação do ser. Égua… o que o desespero não faz! Vai ver que Huxley estava com os mesmo problemas que eu quando escreveu esse livro. Quem sabe :)

Ah se eu pudesse e meu dinheiro desse… “programava” meu filho para ser um jornalista, advogado, médico, enfermeira, publicitário, astrônomo essas coisas que dão muito dinheiro e prestigio, sabe? Professor? Tá doido? Olha onde a mãe dele veio parar!

Engraçado como até mesmo a mais bizarra das utopias sao capazes de nos seduzir. Utopias??? Será??? Preço dos livros… banalização do sexo… inversão de valores… família….

Bom, deixa eu ir lá ver essa tal civilização.

Bem, estreando aqui como “posteira”. Depois da maratona do Lino, ficou complicado! Mas vamos que vamos. Como uma vez palpiteira, sempre palpiteira, vou ser o-b-r-i-g-a-d-a a comentar também alguns posts que já se foram. Mas esta “repescagem” fica para o próximo. Agora, vamos polemizar um pouco, que adoro uma luta vale tudo verbal…

 O sopro da vida
Uma das questões que me atraem no livro é justamente como definir o que é humano e a questão –tão atual – das pesquisas genéticas. Onde começa a vida humana? Onde termina? É uma questão científica? Histórica? Moral? Para debater a Lei da Biogenética no Brasil, não se convocou nenhum filósofo. E até hoje ainda se discute – sem sucesso – a questão do aborto: direitos da mãe, direitos do feto. Isso, para não falar  na famigerada melhoria racial e nas limpezas étnicas. Parecem todos contra – mas e os anacéfalos? É o cérebro que define nossa humanidade? Qual o limite da inteligência para tanto? Alguém tem a resposta?

Pelos excluídos
Oscar PitoriusPara complicar, tem a questão da inclusão. Somos todos politicamente corretos – ou não? Afinal, queremos uma sociedade mais justa, em que as diferenças sejam respeitadas. Que todos tenham as mesmas oportunidades – ao contrário do Admirável Mundo Novo, em que cada um deve ficar feliz com aquilo para o qual foi programado. Gostamos de incentivar, de ver as pessoas “virarem a mesa” e superarem desafios. Certo?

E nas Olimpíadas…
Nem tanto. Como fica o caso de Oscar Pistorius, o corredor sul-africano, campeão para-olímpico? Oscar quer disputar os 400 metros na Olimpíada de Pequim (não a para-olimpíada, mas aquela que inundará nossos lares). Bacana – afinal, como não torcer por ele, que nasceu com um problema nas pernas, amputou abaixou dos joelhos as duas, e agora tem uma prótese de carbono? Um verdadeiro herói! Exemplo de determinação. Só que o comitê olímpico acaba de proibir. Afinal, a “desvantagem” de Oscar foi considerada uma vantagem: suas pernas são biônicas. Como os desajustados de Huxley, onde ele se encaixa? Deve se negar o direito de ele correr com qualquer corredor? Ou estaremos abrindo as portas para que, no futuro, atletas amputem seus membros para dar lugar a um admirável mundo novo? Qual a sua decisão?

Uma das coisas que mais me impressionou no livro (entre tantas que me impresisonaram!!) foi o fato dos personagens dizerem frases feitas como se fossem verdades absolutas ou coisas que eles próprios tivessem concluído. Enquanto Bernard ouvia e lembrava… “cem repetições, tantas noites por semana, por tantos anos.”

Quantas repetições fazem uma verdade?!!? Enquanto lia cada vez que me deparava com uma frase feita tentava me lembrar de quantas vezes já fiz isso… repetir uma frase que já ouvi muito, sem acreditar ou sem ter comprovado se é verdadeira. Quantos de nós não repetimos frases que ouvimos nossos pais, familiares, amigos ou, até mesmo, a televisão dizer!?!? Sem contar nas verdades absolutas que simplesmente adotamos porque assim nos é passado!! Quem aí nunca se sentiu mal por não ter o carro que todos dizem ser o melhor?!?! Ou por não ter o corpo, o cabelo ou o modo de vestir dito corretos?!!?

Isso foi uma das coisas que o livro me fez parar para refletir… prestar atenção no meu próprio condicionamento, rever alguns conceitos pra ver se são meus conceitos ou se me foram passados por outros. Não vou aqui discutir quem ou o quê nos condiciona. Mas acho que é uma boa oportunidade pra parar e pensar!!

E você, quantos dogmas que não são seus você repete por aí?!?! Ou simplesmente acata sem parar pra pensar?!!?

Beijos, Dani

Eh com muito prazer que anuncio a mudanca de status da Scliar de palpiteira para autora! Saibas que voce que sempre participou ativamente aqui do Clube do Livro eh mais do que bem vinda !

Agora, com sete autores, garantimos que cada dia da semana havera um post aqui no Clube do Livro ! Sete autores, ciclo fechado. E agora ninguem mais nos segura !

Entrada fechada para novos autores mas aberta para novos palpiteiros. Sintam-se muito bem vindos a palpitar bastante pois eh assim que a gente gosta !

Ontem encerramos a Maratona Lino Resende aqui no Clube do Livro. Lino nos presenteou com sua resenha em 7 capitulos. Muito interessante ver o Admiravel Mundo Novo pelo ponto de vista de nosso caro amigo. Quem estiver curioso e perdeu a serie, pegue uma xicara de cafe e delicie-se nos posts abaixo:

1. Dividindo para não complicar
2. Estabilidade, sociabilidade e moral
3. Condicionamento, desequilíbrio e paixão
4. Vingança, identidade e rebeldia
5. Deus, civilização e sociedade
6. Quem é o selvagem?
7. Uma questão além de Huxley

Mas quem pensa que acabou por aqui esta muito enganado. A coisa ainda vai esquentar nesse Clube. Cada autor ainda escrevera 3 posts sobre suas impressoes sobre o livro. Apos esses tres posts, ou seja, tres semanas, teremos a apresentacao de um novo tema pela Cissa.

Entao meu povo, peguem seus livros porque quero escutar mais palpites !

Lys

brave7.jpgQuando propus, para início do Clube do Livro, uma discussão a partir de três indicações – Admirável Mundo Novo, Blade Runner e Next – a proposta vinha embalada na discussão sobre biogenética e os avanços que o setor experimenta, com pesquisas e mais pesquisas sendo feitas nesta área, com o emprego de bilhões de dólares nos mais variados campos.

Os três livros nos mostram o avanço da ciência e da genética de forma diferente, mas têm uma base comum, que é a criação de novos humanos através de processos assexuados. Esta fabricação é mais evidente no livro de Huxley, já que Blade Runner fala de réplicas e Next não chegou, ainda, à criação de novos humanos, vendo-a como uma possibilidade futura. Nos três, a ética da ciência é o pano de fundo, com a discussão se seria ou não moral manipularmos os genes humanos e, como dizem os religiosos, ficássemos bancando Deus.

Acho que a questão da genética e da manipulação das células é um caminho sem volta. Preocupa-me, no entanto, a forma como tudo está sendo feito, não pelo que está sendo feito, mas pelo pouco cuidado tomado e pelo fato de a ciência estar se transformando em um grande negócio. A lógica dos negócios é diferente da lógica da ciência. Esta, pelo menos em princípio, não deveria ter fins comerciais.

O que Admirável Mundo Novo nos deixa, no caso da pesquisa genética, é uma grande interrogação, de até onde devemos ir, o que devemos fazer, o que devemos sancionar e aceitar e o que é inaceitável. Voltamos, aqui, a questão do controle e se ele deve ou não ser exercido e se nesse exercício deve prevalecer um fundo moral.

A pesquisa genética tem um grande potencial e, amanhã, pode de forma efetiva contribuir para nos tornar melhores humanos, prolongar a vida, curar doenças. Mas pode, também, se não houver cuidado – e até o fim do mercantilismo – desembarcar não no Admirável Mundo Novo, mas nos replicantes de Blade Runner que voltam para nos assombrar.

No final, tendo como pano de fundo a discussão da manipulação dos genes, fica sempre a questão de um caminho que deve ser trilhado com cuidado para que não cheguemos ao Admirável Mundo Novou ou tenhamos replicantes totalmente desumanizados ou o mercantilismo que hoje impera na pesquisa genética. É preciso equilíbrio. Só com ele poderemos tirar efetivo proveito desta pesquisa.

A maratona de Admirável Mundo Novo está no fim. Acho que, no final, o livro proporcionou uma boa leitura, contribuindo para o objetivo do Clube, que é diversificar autores e temas. E ao mesmo tempo nos levou a uma reflexão sobre a sociedade que temos, a imaginada e a que podemos ter. Para mim, foi ótimo.

Agora, é esperar o próximo tema. Que venham as sugestões.

brave6.jpgSe não posso mudar o mundo, vou dele me retirar. Este parece ser, no final, a opção do Selvagem, configurada no último capítulo de Admirável Mundo Novo. “Comi a civilização”, diz ele. E foi intoxicado por ela. Por isso, necessita de purificação, o que significa uma volta às origens. Tal como Bernard, o Selvagem não se enquadra na nova civilização, só que se um sofre por não se enquadrar, o outro o faz por experimentar algo que, no seu entender, só pode intoxicar as pessoas. De um lado, a inadaptação traz o desejo de integração, do outro, uma total rejeição àquilo a que foi exposto.

E o que acontece? A volta à barbárie, ao ambiente sujo, o fim da assepsia, inclusive dos sentimentos. Livre, finalmente, o Selvagem volta à solidão, ao sofrimento, à expiação. E por tudo isso, vira atração, fazendo com o que sinta seja também sentido pelos civilizados. Ao buscar a redenção, ele acaba redimindo quem foi pasteurizado, homogeneizado, não tem sentimento. Para ele, então, estranho em dois mundos, não há saída. Resta a morte, que ele procura através do suicídio.

Mas será que é assim, mesmo? Que vivemos em um mundo dualista e maniqueísta? Que não temos liberdade de pensar? Que nos escondem a verdade? Estas e outras perguntas ficam ao final do livro. A reflexão que eles nos provoca leva-nos ao atual, ao que está sendo feito no mundo e, de forma surpreendente, guarda similaridades com a atualidade. Veja-se, por exemplo, a dualidade, configurada na postura dos Estados Unidos entre o bem – a civilização – e o mau – o mundo islâmico, sobretudo o fundamentalismo – que é a barbárie.

E quanto a pensar de forma independente, será que fazemos isso? Em parte, sim. Mas se tomarmos a grande massa, talvez seja o caso de afirmar que não. E tal como no Admirável Mundo Novo, são os meios de massa que contribuem para formatar uma verdade que, no final, esconde a própria verdade. Veja-se, como exemplo, o caso do capitalismo, que trouxe prosperidade e liberdade. Olhe-se sob o tapete e o que vemos são bolsões de miséria, gente passando fome e países e mais países onde, em nome do capital, se sufoca a liberdade.

Aldous Huxley, embora use o avanço da ciência como algo bom, é pessimista, muito pessimista em seu livro. Nele, não vê outro caminho para a civilização que não seja um governo central, forte, não democrático, que submeta a população. Só assim, afirma, teremos estabilidade e só com estabilidade é que podemos nos livrar da barbárie, construindo uma terceira via. Ele admite o sacrifício da liberdade e da individualidade m favor do progresso, do crescimento da sociedade e aceita que, para conseguir isso, a ciência atue como fator primordial.

brave5.jpgEstranho em uma terra estranha, John acaba em um embate sobre os fundamentos da civilização com sua Fordeza, o governante da parte do Admirável Mundo Novo em que está. Nela, contrapõe as idéias tiradas não só da sociedade selvagem em que vivia, mas colhidas de Shakespeare e seus personagens, como o conceito de honra.

O que o Selvagem enfrenta é uma última tentativa de desconstrução do que é, do que foi. Primeiro, lhe é colocada a opção entre civilização e barbárie, sendo que, no caso, a barbárie é o não enquadramento, a não submissão, a existência do sentimento, o apego a uma moral, a crença em um ser superior, os procedimentos nada assépticos da flagelação.

Mas quais são os fundamentos da civilização do novo mundo? Primeiro, a estabilidade, que não é espetacular, mas que acontece, fluindo e permitindo que o mundo funcione e que todos sejam felizes. Por isso é que não há nada de espetacular, o que só acontece na instabilidade, já que a felicidade nunca é grandiosa. Depois, pela ordem, que se contrapõe ao caos do pensamento e dos desejos individuais. Neste cenário de estabilidade, ordem e felicidade a mudança é uma ameaça, como também a ciência, que pode propiciar esta mudança, e a verdade.

E é, de certa forma, em torno da verdade que se dá o verdadeiro embate, questionando os fundamentos da sociedade, como falta de liberdade, supressão da individualidade, supressão dos sentimentos, conformismo, submissão às drogas, mas, e sobretudo, ao controle de uns poucos sobre muitos. Tudo o que foi feito, como afirma Mustafá Mond, teve um objetivo: tornar a sociedade estável. E é para manter esta estabilidade que a individualidade e a originalidade têm de ser abolidas. No Admirável Mundo Novo esta é a verdade. Para John, o Selvagem, não, o que nos leva a uma verdade conceitual, que muda de acordo com os pontos de vista e interesses.

O controle existe para que tudo funcione. E tudo funciona. E é este controle que torna o mundo asséptico, inodoro, sem gosto e sem sentimento. O que prevalece é a totalidade, seja ela olhada do ângulo do indivíduo ou da própria sociedade. Não existe um, mas todos. Prevalece, sempre, o coletivo. E para que ele impere, mata-se o individual, a mudança, a inovação. É como se o mundo fosse estático. Neste mundo não há nobreza, não há heroísmo, só obediência.

Se o Admirável Mundo Novo nos coloca a opção de civilização ou barbárie, o que dizer do mundo atual. Não estaremos reproduzindo esta escolha, olhando, de um lado, o Ocidente como civilizado e o Oriente, principalmente os muçulmanos, como selvagens? Não estaremos reproduzindo o maniqueísmo que não nos deixa uma terceira opção?

Olhando o hoje, vemos que, na verdade, não há muita diferença entre o mundo de John e de quem é decantado para o mundo dos homens. Nos dois, as opções são muito pequenas. E quem não se enquadra é tratada como o selvagem foi tratado em Admirável Mundo Novo.