A partir do capítulo X e até o capítulo XV, Huxley expõe o não civilizado à civilização e deixa antever o que temos lá no fundo, bem no fundo da alma, começando pela vingança de Bernard Marx contra o DIC, expondo-lhe ao ridículo de lhe apresentar uma Linda decrépita e com um filho adulto, que se ajoelha diante dele chamando-o de pai, o que o torna motivo de chacota de todos e faz com que não resista ao escândalo e suma.
Que mostra maior de individualidade do que a vingança? E é exatamente dela que Bernard se vale, usando, a seguir, o Selvagem para se transformar em uma estrela, inflando seu ego, tornando-o importante, desejado pelas mulheres. O que o livro mostra é uma corte onde a bajulação tem um papel importante, abre portas, cria relacionamentos, presta e cobra favores, mesmo que sejam de natureza sexual. Os civilizados, neste caso, agem de forma idêntica aos selvagens, mostrando que o homem não perdeu, ainda, toda sua humanidade.
Ao mesmo tempo em que Bernard cria uma individualidade, a partir de seus sentimentos de diferença, o Selvagem cria uma estranheza. Criado para admirar a civilização, ele não se enquadra nela, não aceita que um seja de todos e se ferra ao amor, à paixão, mas a quer domada por um comprometimento, que é o casamento, o que pressupõe sacrifício, heroísmo, não o oferecimento de sexo fácil, como faz Lenina, o que a enquadra como prostituta, que não é digna do seu amor. A individualidade, aqui, leva a dois sentimentos básicos, o amor e a paixão, fazendo com que fiquem muito próximo do ódio, que virá a seguir e se voltará contra a civilização.
Sendo um indivíduo e tendo sentimentos, o Selvagem se vira, primeiro, contra Bernard, recusando-se ao beija mão que ele promove com os poderosos de plantão. E depois, no jogo da morte – lembrem-se que o corpo é matéria – vista como um ciclo natural, o que é difícil para alguém não condicionado aceitar, contra a própria civilização, atirando o soma ao largo e acabando preso. A revolta, no caso, não é contra a morte, mas contra o seu ritual, a despersonalização, a naturalidade com que é encarada.
O que sobra? O estranhamento de ser diferente, de não se enquadrar, o medo da perda de identidade. Pertencemos a um meio, parece dizer o Selvagem, e o civilizado Admirável Mundo Novo, não é o seu. Como aceitá-lo, então?



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Fevereiro 3, 2008 às 2:13 am
Dani
Eu adorei a parte da vingança e da ascensao de Bernard!! Apesar de achar q ele nao eh tao revolucionario qto parece crer!! Quando preso ele se apavora com a ideia de ir pra tal ilha… enquanto seu amigo logo se entusiasma diante da possibilidade de algo novo!! E, ainda por cima, escolhe um local de clima dificil pois tera mais inspiraçao pra sua escrita!!
Bernard critica varios aspectos da sociedade por pura inevja… por nao ser tao belo, forte ou alto quanto os outros alfas… mas no momento em que passa a ter destaque parece acreditar q a civilizaçao esta perfeita!!
Grande ego!! Sera isso um erro do condicionamento???
Fevereiro 3, 2008 às 2:47 pm
Lys
Eu achei fantastica essa reviravolta do livro. Muito interessante mesmo. Bernardo que se via tao estranho a sociedade se vendo no papel de igual quando comparado com o selvagem. Ele deixa o papel de estranho para ser apenas um outro normal e civilizado. Achei uma sacada e tanto essa reviravolta.