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brave4.jpgA partir do capítulo X e até o capítulo XV, Huxley expõe o não civilizado à civilização e deixa antever o que temos lá no fundo, bem no fundo da alma, começando pela vingança de Bernard Marx contra o DIC, expondo-lhe ao ridículo de lhe apresentar uma Linda decrépita e com um filho adulto, que se ajoelha diante dele chamando-o de pai, o que o torna motivo de chacota de todos e faz com que não resista ao escândalo e suma.

Que mostra maior de individualidade do que a vingança? E é exatamente dela que Bernard se vale, usando, a seguir, o Selvagem para se transformar em uma estrela, inflando seu ego, tornando-o importante, desejado pelas mulheres. O que o livro mostra é uma corte onde a bajulação tem um papel importante, abre portas, cria relacionamentos, presta e cobra favores, mesmo que sejam de natureza sexual. Os civilizados, neste caso, agem de forma idêntica aos selvagens, mostrando que o homem não perdeu, ainda, toda sua humanidade.

Ao mesmo tempo em que Bernard cria uma individualidade, a partir de seus sentimentos de diferença, o Selvagem cria uma estranheza. Criado para admirar a civilização, ele não se enquadra nela, não aceita que um seja de todos e se ferra ao amor, à paixão, mas a quer domada por um comprometimento, que é o casamento, o que pressupõe sacrifício, heroísmo, não o oferecimento de sexo fácil, como faz Lenina, o que a enquadra como prostituta, que não é digna do seu amor. A individualidade, aqui, leva a dois sentimentos básicos, o amor e a paixão, fazendo com que fiquem muito próximo do ódio, que virá a seguir e se voltará contra a civilização.

Sendo um indivíduo e tendo sentimentos, o Selvagem se vira, primeiro, contra Bernard, recusando-se ao beija mão que ele promove com os poderosos de plantão. E depois, no jogo da morte – lembrem-se que o corpo é matéria – vista como um ciclo natural, o que é difícil para alguém não condicionado aceitar, contra a própria civilização, atirando o soma ao largo e acabando preso. A revolta, no caso, não é contra a morte, mas contra o seu ritual, a despersonalização, a naturalidade com que é encarada.

O que sobra? O estranhamento de ser diferente, de não se enquadrar, o medo da perda de identidade. Pertencemos a um meio, parece dizer o Selvagem, e o civilizado Admirável Mundo Novo, não é o seu. Como aceitá-lo, então?

brave3.jpgSob esta ótica podemos agrupar os capítulos que vão do quinto ao nono. Neles, se faz, primeiro, a apologia do condicionamento, o que redunda na felicidade de quem, sendo condicionado, sente-se perfeitamente integrado na sociedade e no seu meio social. É neste sentido que “é bom ser Alfa” e não é bom ser qualquer outra coisa. A felicidade, neste caso, está no cumprimento do seu papel, que pressupõe trabalho e consumo, com momentos de fuga da realidade através de sua dose diária de soma.

Em uma sociedade onde não existe religião – e este é um assunto discutido mais adiante – o próprio corpo é tratado como matéria, reduzido a cinzas reciclado. A única concessão ao coletivo são os transes, que funcionam como uma espécie de “descarrego”, fazendo com que, depois dele, as pessoas voltem ao “normal”. A sociabilidade é maximizada, com a individualidade sendo vista como problema, daí o tratamento do transe coletivo.

O mundo é asséptico, inclusive de sentimentos. Daí a assertiva de que os habitantes do Admirável Mundo Novo serem adultos no trabalho e criancinhas do sentimento e desejo. Aliás, os dois não existem e o relacionamento, se não chega a ser funcional, tem mais o sentido lúdico, maximizado pelos jogos, incluindo neles o jogo sexual. O que Huxley não deixa claro é que se há prazer no sexo. Como o mundo é asséptico, pode se pressupor que não.

A este mundo asséptico é contraposto o “mundo selvagem”. Ele é sujo, carnal, cheio de crenças e superstições, nele prevalece o amor, o ódio e a vingança, a dignidade é vista como sacrifício, os conflitos permanentes, inclusive pela “posse” de outros humanos, a expiação uma necessidade. Marcados pelo pecado original, submetidos aos deuses, os não “civilizados” vivem uma vida degradante, inclusive degradando o próprio corpo, o que é um insulto para os “civilizados”. O sentimento – em todos os sentidos – leva ao gueto e lá é mantido, longe, restrito, de forma que não ofereça nenhum risco de contaminar a civilização.

Estabelece-se, aqui, a visão maniqueísta que contrapõe civilização à barbárie, não antevendo um meio termo, em que se poderia ter algo da civilização e um pouco da criatividade da barbárie. O resultado é que no processo civilizatório, cria-se um novo conflito, gera-se uma nova pessoa, dividida, que já não sabe a que mundo pertence e já não vê o novo mundo assim tão admirável.

brave2.jpgSe olharmos os quatro primeiros capítulos de Admirável Mundo Novo vamos ver que a discussão central neles se prende aos quesitos estabilidade, sociabilidade e moral. No primeiro caso, enquadram-se todas as ações tomadas pela Direção Mundial, de fabricar humanos com perfis específicos para a realização de determinadas tarefas e seu condicionamento, primeiro, para viver em conjunto, e depois para serem felizes com o que fazem.

Esta sociedade paradoxal, se olhada sob nosso ponto de vista, oferece, ao mesmo tempo, estabilidade de emprego, emocional, financeira e se baseia em um relacionamento superficial, onde o sexo é fator lúdico, não existe envolvimento emocional e o consumo, uma obrigação. A moral não guarda qualquer racionalidade e, tampouco, está alinhada a nenhum tipo de crença. Na verdade, como todos são condicionados, ela não existe, podendo se falar, então, em amoralidade.

Neste novo mundo, que só é admirável quando visto de fora, por quem não é “civilizado” – até porque os “civilizados” não pensam – estabilidade quer dizer ordem, quer dizer padrão, quer dizer não contestação, quer dizer conformismo, quer dizer fuga da realidade. Liberdade, em contrapartida, é o caos, já que o pensamento criativo põe em choque a igualdade forçada, a obrigação do conformismo e desfaz o relacionamento casual, reclamando a “posse” da pessoa amada, na base de um para um e não de um pertence a todos.

Por isso é que Bernard Marx se sente incomodado com sua iniciante individualidade, que o coloca à parte do todo e o faz se sentir como um paria. A diferença gera inquietação e leva à contestação. A construção da utopia do igualitarismo – baseada nos primórdios do comunismo na Rússia – faz com que seja preciso abrir mão da individualidade, como se abria mão da propriedade. Se sou eu, não posso aceitar o total, o todo. E se não aceito o todo, não posso exigir estabilidade, pois ele só é conseguido mediante padronização.

brave1.jpgO tema de Admirável Mundo Novo não é o avanço da ciência em si mesmo; é este avanço na medida em que afeta os seres humanos”.

Se, como afirma Aldous Huxley, acima o centro do livro não é a ciência, ele vai muito além dela, do que afeta o comportamento dos humanos e discute questões que vão da política à filosofia, passando pela religião e como ela molda o pensamento de todos nós. Um das mais importantes discussões de Admirável Mundo Novo é a construção da sociedade, como a queremos e como é que podemos, a partir do avanço científico e tecnológico, construir uma nova utopia.

O livro, na verdade, levanta mais dúvidas que certezas. Mesmo que o olhemos da perspectiva de quando foi escrito, nos proporciona vários questionamentos, a começar pelo tipo de sociedade que desejamos e como podemos construí-la, se com liberdade ou mediante a adoção de controles estritos. E é a partir desta ótima maniqueísta que o livro é construído, não restando, no final, senão a opção do suicídio do Selvagem, que foi intoxicado pela civilização, não conseguindo se livrar dela a não ser pela morte.

Para falar do romance, sem submeter os participantes e palpiteiros deste Clube a um texto muito longo, vou dividir meus comentários sobre o Admirável Mundo Novo em partes, discutindo, em cada uma delas, o que achei mais significativo. Em alguns casos, estas partes são capítulos. Em outros, a junção de um ou mais deles, de certa forma submetidos a uma temática que os percorre.

Antes de comecar meu post gostaria de anunciar que semana que vem teremos a maratona Lino Resende aqui no Clube do livro. Lino publicara sua resenha em sete capitulos. Nao percam ! Logo apos a maratona Lino, cada autor do Clube do livro publicara tres posts conclusivos com suas impressoes gerais sobre o livro e com isso finalizaremos esse tema e daremos inicio a outro que sera liderado pela Cissa.

Anuncio feito, voltamos ao que interessa: o Admiravel Mundo Novo!

Ate o ponto em que estou no livro, dois pontos me chamaram bastante a atencao. O primeiro eh o condicionamento que ja foi apresentado aqui no Clube do Livro pelo Lino e depois complementado por um comentario muito legal da Sciliar. Outro ponto que me chama atencao eh a questao da sexualidade, que eh banalizada juntamente com o conceito da familia. No entanto, nao quero discutir esses temas sem ter terminado de ler o livro completamente, portanto, assim que eu acabar de ler irei elaborar os meus tres posts incluindo esses temas e mais um que ainda definirei.

No entanto, nesse post de hoje, pegando o bonde que o Alvaro tocou sobre “antecipacao” e dando de certa forma continuidade ao discutido pelo Lino e redirecionando a questao do condicionamento a educacao, muito bem lembrado por Sciliar com a publicacao nos comentarios da figura abaixo. A figura se trata de uma charge que Sciliar encontrou e que foi publicada no final do seculo XIX como uma previsao de um futuro automatizado para a educacao. E nao eh que foi justamente no final do seculo XIX e inicio do seculo XX que o behaviorismo nasceu ? Pensando por esse aspecto, se a pscicologia nao tivesse tomado outro rumo, certamente estariamos em uma situacao bem parecida com a charge abaixo.

Ao ver essa figura imediatamente me lembrei das “maquinas de ensinar”de Skinner. Nao consegui colocar esse video do you tube aqui, mas para quem ainda nao viu vale a pena conferir- clique aqui e veja la). Skinner foi um dos papas em psicologia experimental e praticamente o criador do behaviorismo radical. O livro chamado
“Psicologia da maneira como eh vista pelos Behavioristas” foi publicado por volta de 1910 e com isso o Behaviorismo se tornou uma especie de febre na psicologia ate a decada de 70. Se pensarmos por esse ponto de vista fica facil entender de onde veio toda a ideia de condicionamento descrita em Admiravel Mundo Novo, que foi escrito em 1932 quando o condicionamento era a moda da epoca.

Outra coisa que me chamou atencao no livro foi a citacao a hipnopedia - que eh a educacao atraves do sono. Ate onde sei, nao existe nenhuma comprovacao cientifica de que isso funciona. No livro eles argumentam que a hipnopedia falha quando utilizada para a educacao intelectual, mas que misturada com o condicionamento era capaz de fazer implementacoes morais em um individuo, ja que educacao moral nao eh racional. Com isso eles eram capazes de psicologicamente implementar a divisao das castas.

Agora me diz, quem ai ja nao pensou como seria bom poder dormir e acordar falando uma outra lingua ? Ou com todo o conteudo da prova na ponta da lingua ? Ja conheci gente que ate dormia com o livro debaixo do travesseiro porque dizia a lenda que no dia seguinte iria lembrar de tudo.

A questao eh, como ja previa o livro, a educacao intelectual nao eh facil de adquirir e eh necessario muito esforco. No entanto, para a moral, nao eh necessario nem estar dormindo. Como ja foi citado aqui inumeras vezes nos comentarios, a sociedade ja nos faz isso o tempo todo, nos bombardeando com coisas que sao certas e coisas que sao erradas de fazer dentro de um contexto de comportamento classificado por sei la quem, talvez a igreja, como sendo normal. Essa eh a educacao condicionada que temos ! Nossa educacao moral eh tao bem condicionada quanto em Admiravel Mundo Novo o era. A unica diferenca eh que a deles se da dormindo e a nossa se da em plena consciencia.

Beijos astronomicos para a todos e tem um otimo domingo !

Lys

Deixemos um pouco de lado a história em si, para falar dela mais adiante, suas mensagens e múltiplas conclusões, para focar outros pontos.

O admirável em “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, é que ele quase conseguiu antecipar uma série de conquistas tecnológicas que, de resto, só se concretizariam muitos anos depois. O helicóptero, por exemplo, era um mero projeto em 1931, quando o livro foi escrito. A televisão, idem. E ele conseguiu remeter-nos mais ou menos à importância que os dois inventos teriam anos depois, como têm hoje. Só que ainda não podemos andar normalmente de “helicoptaxi”. Infelizmente.

Em 1931 nem se tinha idéia de como seria o computador, essa maravilha que uso agora para escrever. Por isso o mundo novo de Huxley ainda é feito de mensagens de papel, trocadas entre os personagens. O telefone é o único meio não concreto de envio de palavras entre os personagens. O autor, sabiamente, imaginou que o teletipo era então algo que muito breve se tornaria ultrapassado.

Também em 1931 a ciência começava a especular em torno dos foguetes e da importância, bélica e civil, que eles teriam. E são os aviões-foguete que transportam os personagens do romance. Mas em modestos 1.200 quilômetros por hora, embora com todo o conforto possível e imaginável.

Até a Islândia surge no horizonte totalitário do romance como o Arquipélago Gulag criado para ser porto dos dissidentes daquela sociedade pós-fordiana. E era obrigatório que houvesse pelo ao um, pois não há totalitarismo sem desterro.

O fantástico de quem faz ficção científica é que ele tem dois caminhos: o primeiro, de se descolar totalmente da realidade e dar, como se diz, asas à imaginação. O outro, de se atrelar ao que a ciência tem, pretende ter, projeta construir para, a partir daí, antecipar o futuro. É um caminho bem mais difícil, bem mais tortuoso, mas inagavelmente mais criativo. Mais sólido, seja a história o que for. Esse foi o caminho de Huxley.

Um brinde de soma para cada um!

álvaro josé silva

Meu livro chegou a alguns dias e ainda nao passei do primeiro capitulo. Palavras como “algidez hibernal” ficaram batendo em minha mente juntamente com a descrição do ambiente laboratorial. Isso em um dia em que vc está mais para cadáver do que para gente!

Tentando nao levar em conta o que foi dito sobre o livro aqui, principalmente nos comentários, que por mim viravam sub-post, trago a baia uma alucinação antiga do tempo em que a maldade humana nua e crua bateu a minha porta e eu ingenuamente deixei entrar. Escolhas… livre-arbítrio… pra que??? Somo capazes de usar esse dom de forma correta? Porque não já nascermos, ou sermos criados, com nosso destino todo traçadinho e geneticamente manipulados para ser feliz assim?? Com duas garrafas de vinho, três frascos de tranquilizantes e meia dúzia de alucinógenos na cabeça não vejo problema nenhum nisso!

- Mas a vida não pode ser tão fácil assim Ciça!

Bom, se você acha fácil manter a lucidez sem chocolates e com TPM, vamos lá….

Não importa QUEM criou essa ordem. Ela existe e eu continuo achando ter sido uma variaçao natural do desenvolvimento humano. Um tanto retorcida, ok, bem retorcida para agradar um ou outro, mas para isso existe a tolerância, outro dom básico para a convivência social. Se ninguém tem o direito de impor, ninguém tem o dever de obedecer… mas todos temos de arcar com as conseqüências!

Gostaria de agradecer a participacao de todos os palpiteiros de plantao! Saibam que voces, com o suporte e apoio a todos nos autores desse Clube do Livro, estao tornando esse clube cada dia mais interessantes e com um tempero especial. O numero de visitantes so faz aumentar e isso eh maravilhoso ! Estamos aqui para aprender e quanto mais cabecas para pensar melhor sera o resultado. Portanto, nao seja timido e participe !

Temos como politica nao responder os emails. O que fazemos eh vir ate aqui e responder em forma de comentario assim tudo fica aberto a todos, gerando uma comunicacao mais transparente. Entao, nao esperes resposta via email mas nao esqueca de vir dar uma olhada aqui pois provavelmente teras pelo menos uma resposta.

Para os que nao podem comprar o livro por “falta de tempo”, nao percam a oportunidade de fazer o download da obra para poder discutir com mais profundidade. Voce pode baixar o livro inteirinho e de graca nesse link aqui, ou nesse outro aqui. Portanto, nao ha mais desculpas para nao palpitarem mais por aqui hem ?

Ainda estamos a procura de um autor para as quartas. Se voce esta interessado em juntar-se ao clube como autor, ou deixar de ser palpiteiro para se tornar um autor, entre em contato com um dos autores e demonstre seu interesse.

Um beijo a todos e sejam muito bem vindos !

Lys

Chega a ser filosófico dizer isso, mas não é. A verdade é que, ao comprar o livro na net, esqueci de trocar o endereço antigo (da casa da minha mãe) pelo novo (minha casinha). Resultado: passei o final de semana ansiosa, xingando o sebo de SP onde comprei meu livro, dizendo que nunca mais comprava em sebo e já procurando pelo livro em sites e livrarias convencionais. Ontem à noite, depois que eu já tinha xingado todas as gerações da família do cara do sebo, minha mãe me liga dizendo que tem uma encomenda pra mim na casa dela há uns 2 dias, talvez mais!!! (é que ela estava em Guarapari, curtindo as férias, não sabe que dia chegou!!) Eu mereço né?!?! Me desculpa aí senhor livreiro…

Enquanto ainda não via nem a capa do meu livro fiquei pensando o que vou fazer quando for a minha vez de escolher o tema… ai meu Deus!! Os últimos livros que tenho lido são romances ou livros de vampiros… alguém aí se interessa?!!? Aí fui me lembrar da minha época de aula de literatura, ainda na escola… quando li Machado de Assis, José de Alencar, entre outros feras da nossa literatura e (UFA!!) acho que tô salva!!! Qualquer coisa ainda temos alguns atuais… O Caçador de Pipas, A cidade do Sol e outros.

Até lá veremos!!!

Ah, e hoje vou buscar meu livro!!!

Beijos a todos!!

Ah, pra quem não entendeu essa história de comprar livro de sebo pela net, eu explico: é um achado… a Estante Virtual, um site só de sebos do Brasil todo!!! Quer ver?!!? Clique AQUI!!

aldus1.jpg“Não são os filósofos, mas sim os colecionadores de selos e os marceneiros amadores que constituem a espinha dorsal da sociedade”.

A afirmação está logo no início do primeiro capítulo de Admirável Mundo Novo e acho que, a partir dela, podemos entender um pouco do que Aldous Huxley defendia quando escreveu o romance. E que permaneceu defendendo 15 anos após sua primeira publicação.

Para ele, a estabilidade social não vem com o pensamento criativo, com alguém que se coloca contra o sistema, que o critica, que procura falhas. Mas, sim, de quem aceita o seu papel, nele se enquadra, chegando quase à padronização - o que, aliás, o romance prega.

Homens e mulheres não têm, também, necessidade de filhos, de se apegarem uns aos outros, daí a sociedade de Admirável Mundo Novo ser constituído de homens, mulheres e neutros, lembrando que a proposta é que cheguemos ao “mundo muito mais interessante da invenção humana”.

“O segredo da felicidade e da virtude: amar o que se é obrigado a fazer”, como afirma o diretor de Incubação e Condicionamento, para observar que é para isso que serve o condicionamento.

Se no romance - e depois dele, em um prefácio feito 15 anos depois - Huxley defende esta posição, cabe perguntar: Será que é assim hoje? Somos condicionados para gostar do que faazemos e, quando gostamos, isso nos traz, efetivamente, a felicidade? Vivemos em um mundo onde o pensar de forma independente não é importante?

O condicionamento, no meu entender, não chega ao de Admirável Mundo Novo, mas existe. E a adaptação ao trabalho, à função, sem dúvida é um fator de felicidade e, seja mediante treinamento ou incentivos emotivos, somos levados a assumir esta postura. Quando não o fazemos, acabamos à margem do processo, vistos como párias.

Em uma época em que o moderno era pensar o futuro a partir dos avanços tecnológicos e científicos que iam surgindo, Huxley traçou um perfil social que desembocava no totalitarismo, significando o total controle de tudo que os habitantes do mundo novo e admirável faziam. E colocava em contrapartida a este controle a barbárie.

Somente nela é que podemos ser livres, mas não podemos ser felizes. Temos liberdade de crer, de sofrer, de amar, de pensar por nós mesmos, mas não temos conforto, diversão e vivemos em um gueto. O mundo de Admirável Mundo Novo é maniqueista. Mas não será o nosso, atual, também?

Temos, realmente, opções de escolher, de encarar o sistema e não ser transformado em um pária, colocado de lado, mandado para uma ilha? Esta é uma questão interessante e que, a partir de Huxley podemos discutir. Haverá, então, uma saída intermediária entre a civilização - e com ela os controle - e a barbárie?

Quando comeco a ler um livro sou do tipo que le primeiro todo o prefacio, a introducao, a dedicatoria, enfim, tudo que vem antes de uma forma bastante metodica tipica de alguem que dedica a vida a ciencias exatas, de pagina em pagina, uma a uma. Dessa forma, comecando do comeco, no livro que comprei me deparei com a introducao feita por uma jornalista chamada Margaret Atwood. A introducao eh muito boa e contextualiza o livro, e eh com essa inspiracao que escrevo meu primeiro post.

Muito antes da primeira guerra mundial (1914 a 191 8) haviam inumeros livros que descreviam um mundo ideal e utopico. Um mundo perfeito e romantizado aonde as pessoas eram felizes, bonitas e saudaveis. Entre eles podemos citar o famoso livro Utopia, de Thomas Morus escrito em 1516. Inumeros outros livros, incluindo os contos de fadas, poderiam ser citados. Com a chegada da primeira guerra o contexto de mundo ideal tomou uma forma diferente da utopia romantica e idealista ate entao conhecida. Nesse momento o ideal toma um corpo bastante mais realista, abandonando quase que completamente o romantismo. Podemos dizer entao que a primeira guerra levou com ela todo o romantismo do mundo ideal.

1984overture.gif

No final da primeira metade do seculo passado surgiram duas grandes obras “visionarias”. Por um lado o mundo sofria dominio pela forca, na obra chamada 1984 de George Orwell, que nos apresenta uma visao de estado totalitario e controlador, aonde a massa da populacao vivia sob a vigilancia do Big Brother e submetida a perversidade do Ministerio do Amor. Por outro lado o mundo sofria um controle mais sutil via a persuasao hipnotica com uma proposta de totalitarismo mais leve ao invez da brutalidade. Tudo isso misturado a uma visao mais futurista em termos de engenharia genetica e controle da vida e formacao dos humanos.

brave-new-world-2.jpg

Apesar de sabermos muito bem que a ideia dos livros citados acima estava bem longe de tentar ser qualquer tipo de profecia, eh possivel, olhando para o passado desde o ponto aonde estamos agora, comparar e contextualizar ambos os livros com a nossa propria historia. Definitivamente nao acredito que a ideia dos autores era fazer qualquer tipo de previsao do futuro, mas temos que dar o braco a torcer e convir que eles deram muitas “bolas dentro”. Mas em que ponto exatamente ?

Durante a guerra fria por exemplo o estado totalitario e bruto de George Orwell toma a dianteira e em muitos momentos nos faz crer que vivemos 1984. Com a queda do muro de Berlim o ministerio do amor cai em terra dando abertura ao poder de compra e ao consumo de prazer. Junto com a chegada de doencas como a AIDS como uma especie de “punicao a promiscuidade” e com o avanco da engenharia genetica, o Admiravel Mundo Novo pega um bela vantagem que nos fazia crer que o mundo inteiro viraria algo tao anticeptico quanto o mundo descrito por Huxley.

Mas quando pensavamos que estavamos rumando em direcao ao Admiravel Mundo Novo, o ataque as torres gemeas trouxe de volta o ministerio do amor com toda sua furia. No entanto, Admiravel Mundo Novo nao foi completamente vencido na batalha. Hoje em dia eh possivel pensar em ter um filho perfeito com intervencao genetica ou mesmo prolongar a vida e a beleza. Ao mesmo tempo o Big Brother esta cada vez mais poderoso e controlador. Na Inglaterra ja o vemos em cada esquina. E tambem nao podemos deixar de lembrar de varias igrejas que fazem uma verdadeira lavagem cerebral implementando uma especie de ideologia hipnotica na cabeca de grande parte da populacao.

Uma coisa certa eh que muita gente ficaria extremamente feliz por ter uma caixinha de soma em casa. Eh claro que a proposta de uma droga que prometa “a felicidade para todos e agora” sem nenhum tipo de efeito colateral seria uma descoberta fantastica e garantiria o premio nobel para quem a descobrisse. Mas que preco teriamos que pagar por essa felicidade involuntaria ? Que preco pagariamos por viver em um mundo ideal aonde todas as pessoas sao bonitas, limpas, saudaveis, perfeitas e felizes ?

Parece que rumamos (pelo menos nas classes e/ou paises mais abastados) para um futuro anticeptico como o descrito por Huxley. Esse futuro porem convive muito bem com a brutalidade do ministerio do Amor e o controle do Big Brother. Mas sera isso possivel ? Sera que estamos fadados a ter o pior de ambos os mundos em um apenas ? E como seria esse mundo no futuro ? Uma coisa eh certa, essa possivel dualidade nenhum dos dois autores conseguiu prever.

Recebi meu livro ontem. Fui buscá-lo assim que saí do trabalho e comecei a ler depois que coloquei a gurizadinha aqui em casa pra dormir.

Estou achando muito interessante a história e o tom meio que satírico com que o autor conduz a trama. “Depois de Ford”, por exemplo, e a alusão descarada ao calvinismo com “os predestinados” não é demais?

Capítulo um já se foi, fim de semana chegando, e pra quem não leu ainda, eu rrrrrrecomendo!

Boa leitura a todos.

Não deve ser surpresa para ninguém que me conhece, ou pelo menos freqüenta meu blog, saber que ficção científica é um gênero literário totalmente novo para mim. Entre Marien Keyes e Aldous Huxley o primeiro sempre teve vaga garantida no meu carrinho de compras. Isso não quer dizer que nao esteja ansiosa. Talvez essa seja a chance de minha vida para provar ser um égua letrada. As ultimas tentativas foram frustradas e caras. Mas a gente fala disso depois!

Para não correr risco de me perder pelo meio do caminho achei melhor pegar o Admiravel Mundo Novo em português. Deve chegar ainda na próxima semana, porém, por morar no buraco do tatu entre o nada e o lugar nenhum, provavelmente não antes da terça-feira. Portanto, vocês vão ter de esperar mais um pouco para saber se a égua dá pra coisa ou não - sem trocadilhos, por favor!

aldous.jpgA opção é entre a civilização e a barbárie. Pelo menos é o que nos põe Admirável Mundo Novo, a obra que consagrou Aldous Huxley e que nos mostra uma sociedade totalmente controlada e domada, onde o pensamento original é punido com o exílio e há, de outro lado, um estrito controle de classes.

A idéia, aqui, no entanto, não é fazer um resumo do que Huxley diz. E sim de situar o seu romance e mostrar o que o próprio autor disse dele, alguns anos depois de sua publicação. Primeiro, o autor.

Huxley era inglês, pertencia à elite do país e seu pai, para se ter uma idéia, ajudou no desenvolvimento da Teoria da Evolução. Em um anbiente rígido, onde os dirigentes pensavam que podiam dispor dos que não tinham privilégio é que Aldous Huxley nasceu em 1894.

Sua primeira obra literária, um livro de poemas - sim, ele era poeta - foi publicado em 1916. Três anos depois, casava-se e deste casamento nasceu seu único filho, em 1920. Admirável Mundo Novo foi escrito em 1931 e publicado no início de 1932. Não é o primeiro livro de Huxley, mas acabou por torná-lo conhecido e transformou-se, segundo todos os críticos, na sua obra mais importante.

Embora trate do totalitarismo, o livro foi escrito antes da Segunda Guerra Mundial e antes de Hitler chegar ao poder. Para traçar um paralelo, outro livro, 1984, de George Orwell, que também trata do totalitarismo, foi escrito após a segunda guerra mundial.

Quinze anos depois de escrever o livro, em uma reedição, Aldous Huxley fez para ele um prefácio. Nele, considera a possibilidade de corrigir o que chama erros do romance e opta por não o fazer. Uma das correções que acha possível é dar mais opções que não entre civilização e barbárie. Mas o romance permaneceu, por decisão do próprio Huxley, como foi publicado na primeira versão.

Neste prefácio, ele se dá ao direito de antecipar o que, no seu ver, pode ser o mundo do futuro. E não vê, nele, muita esperança. Acha que estava caminhando para o totalitarismo, centralização e a eugenia. Tal como no seu próprio romance. Huxley não vê futuro para a democracia, não crê em movimentação social e acha que somente com o controle é que o mundo poderia ir à frente. Talvez tudo isso seja o reflexo do seu próprio nascimento em um meio de elite.

O fato é que, se de um lado, do político, Huxley erro, e feio. Do outro, do avanço da ciência, acertou, pelo menos no que se refere à biogenética, à manipulação dos genes, à programação dos nascimentos. Não chegamos, ainda, ao Admirável Mundo Novo - a propósito, retirado de um verso de Shakespeare - mas já somos capazes de clonar coisas - ainda, não chegamos aos humanos - e temos meios para mudar as pessoas.

Será que vamos chegar ao Admirável Mundo Novo? Não no sentido de Huxley, de controle político, mas no seu sentido eugênico, de tornar os homens e mulheres saudáveis, imunes à doença e com vida mais prolongada.

O que vocês acham?

1. Escolha do Tema:

A escolha sera feita por temas. Cada pessoa tera direito a escolher um tema e tres ou quatro opcoes de livros dentro desse tema. A escolha do tema devera ser apresentada em um post explicando as motivacoes para a escolha e com um resumo dos livros escolhidos, incluindo fotos das capas dos livros, links, tudo o que achar necessario.

A escolha sera feita de forma a obedecer a seguinte sequencia:

Dani -> Scliar -> Lys -> Lino -> Alvaro -> Marcelo -> Mercia … comeca novamente

Essa ordem esta relacionada com a ordem de ingresso ao clube do livro.

2. Escolha do Livro:

Havera uma votacao para a escolha do livro.

Todos os participantes deverao publicar seu voto assim como uma justificativa. Isso devera ser feito em forma de post.

3. Discussao:

Cada autor tera a responsabilidade de publicar um post por semana. Nesse post o autor devera discutir apenas temas relacionado com o livro. Ou comum capitulo ou com o livro em geral ou com assuntos que relacionam o livro a realidade.

O post pode abordar um tema novo ou dar continuidade a discussao anterior, para reforcar a ideia ou criticar. O ultimo post de cada livro sempre devera fazer referencia ao tema em questao.

As publicacoes serao feitas por:

Lino -> segunda
Mercia -> terca
Alvaro-> quarta
Scliar -> quinta
Marcelo -> sexta
Dani -> sabado
Lys -> domingo

4. Resposta aos comentarios :

As respostas aos cometarios deverao ser feitas no proprio blog como comentario. Isso tornara a discussao mais produtiva e ampliara a participacao dos “palpiteiros” enriquecendo o debate.

5. Prazos :

Nao ha prazos definidos dentro de um certo limite pratico. A ideia eh manter um ritmo de leitura saudavel e sem pressao, mas eh bom nao deixar o tema se arrastar por muito tempo. O tempo de discussao devera durar o tempo suficiente para esgotarmos os pontos interessantes para debate do livro e sera decidido entre os autores o momento de mudar de tema. No entanto, temos uma media de 6 semanas por livro.

6. Dos autores:

O numero de autores sera mantido em no maximo 7 (um para cada dia da semana). A saida de um implica na entrada de outro, mas espero que ninguem precise sair. Atualmente ja somos 7 autores.

Cada autor devera criar e manter uma pagina com seu perfil.

Caso haja a saida de um autor por algum motivo, a escolha do autor substituto se dara baseada na participacao dos candidatos a autores no Clube. Quem participar mais como palpiteiro em forma de comentarios ganhara a vaga de autor quando uma vaga estiver disponivel.

7. Dos palpiteiros:

Esses devem participar com comentarios no Clube do Livro. Caso se de a saida de um autor, um dos palpiteiros sera convidado a substituir.

Eh isso. Essas regras nao sao definitivas e podem ser mudadas de acordo com a necessidade e vontade de todos os autores.

Brave New WorldVotacao encerrada !

O primeiro livro a ser discutido aqui no clube do livro sera Admiravel Mundo Novo (Brave New World) que foi escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932.

So para ja irmos entrando no clima e ganharmos tempo para passar na livraria mais proxima de casa, segue abaixo a sinopse e um textinho sobre o autor que copiei e colei absolutamente e sem vergonha na cara do site da livraria cultura.

Sinopse:

Um romance de idéias que descreve as formas mais sutis e engenhosas que pode assumir o pesadelo do totalitarismo, e que resiste às interpretações político-ideológicas de esquerda ou direita suscitadas desde seu lançamento

Sobre o autor:

Aldous Huxley (1894-1963) nasceu na Inglaterra. Aos dezessete anos, uma doença reduziu sua visão a um décimo do normal. Huxley passou grande parte da vida longe da terra natal: morou na Itália, na França e, em 1937, no auge da fama, mudou-se para os Estados Unidos, onde veio a morrer. É autor, entre outros, dos livros ‘A Ilha’, ‘Admirável Mundo Novo’ e ‘Contraponto’.

Oi, gente.

Voto em “Admirável mundo novo” como leitura e comentários. Lino diz que como a sugestão dos três títulos foi dele, ele se abstém de votar e aceita a escolha que for feita. 

Um abraço

Álvaro Silva

Gente, bom dia.

Ontem o Lino Resende, meu sócio, convidou-me para fazer parte do clube e a Lys, gentilmente, não apenas aceitou como também leu um artigo de meu blog e fez um comentário. Que início de dia ótimo!!!

Estou feliz em fazer parte desse grupo. Adoro literatura e, inclusive, já “cometi” alguns desatinos nessa área.

Vamos em frente porque ler é bom, comentar o que se lê é melhor ainda e trocar opiniões enriquece a todos. Tenho certeza de que nosso convívio vai ser uma experiência enriquecedora. Quero aprender muito com vocês.

Um abraço geral.   

Depois de ter me perdido em vários caminhos, esquecido login e senha e ter sido salva pela Lys, chego ao Clube do Livro!
É bem verdade que já estava a par de tudo que aqui acontecia. Ainda assim, dá um friozinho na barriga me saber parte de um projeto que é inovador e tem como objetivo a leitura comentada. Preciso dizer que morri de inveja da Lys. Este foi sempre um desejo meu: criar um espaço onde houvesse leitura e interação - pra mim, mais do que atitudes, dois grandes instrumentos de crescimento individual e coletivo.
Então, começo a minha participação parabenizando a moça do reino encantado que teve a brilhante idéia e todo o trabalho para colocá-la em prática. Parabéns também ao Lino pelas sugestões dadas. E parabéns aos participantes por terem aceitado o desafio de passar por cima de suas limitações de tempo e espaço (todos temos) para fazer nascer, crescer, e quem sabe espalhar-se, o Clube do Livro.
E fico com a escolha que me parece já definida: Aldous Huxley! Este, o autor de um dos melhores livros que já li e que releio sempre: Contraponto. (Sei que não cabe falar de outros livros agora, mas tinha que falar deste) Então vamos à leitura de Admirável Mundo Novo.
Por enquanto, deixo beijos a todos - autores e participantes. E repito: é um prazer estar aqui!

Oi, pra todos!

Legal poder participar do Clube do Livro e ver que mais pessoas estão aderindo a essa idéia. Acho que ele pode se tornar um canal muito bacana pra trocar idéias, interagir e aprender, além de, como disse a Lys, “abrir nossos horizontes”. Talvez isso já esteja até acontecendo, não é? Quantos de vocês costumam ler sobre esse tema que o Lino propôs? Pois é, eu não. Até não por falta de interesse, mas por falta de oportunidade mesmo. Dessa lista de três livros, por exemplo, eu li apenas um e lá se vão uns bons muitos anos atrás. Livro legal, clássico, todo mundo já ouviu falar e sabe mais ou menos do que se trata. Releria com todo prazer, aliás. Um outro, eu tinha tentado ler, mas acabei desistindo; um pouco por adorar o filme baseado nesse livro e ver que a história não era bem a mesma, um pouco por achar a história meio arrastada, cheia de referências que eu nem sempre conseguia acompanhar. Me vinha aquela imagem loira do Rutger Hauer na cabeca toda hora. ;o) Talvez fosse diferente hoje. Já o último livro, não li e que vergonha dizer que nem sabia que existia. Justamente por isso, pra diminuir essa minha falta de conhecimento, e por estar aberta ao novo e ao inesperado  - uau! - que meu voto vai pra ele: Next!

Agora vou comer o sacolé de morango que minha mãe fez pra mim, enquanto espero pelo próximo voto.

Beijo pra vocês.

Eh com imensa alegria que anuncio a chegada de Alvaro ao nosso Clube do Livro !

Alvaro seja muitissimo bem vindo e assim que puder venha nos dar seu voto pois ainda ha tempo !

Lino, Loba, Lys, Lu (o que é isso? A confraria dos “L”?)… e eu me pergunto: o que estou fazendo aqui no meio desse monte de intelectual? Ai que medo! Se eu tinha esperança do povo me achar mais ou menos inteligente, depois dessa experiencia a égua, com certeza, vai para o brejo!

Mas vamos ao que interessa: Lino meu lindo, não poderia ter escolhido um tema mais cor-de-rosa não? Arri égua, e se eu começar a querer me auto genéticas a mim mesma? Sem falar nas horas que perderei em delírio puro me perguntando pq não fui manipulada geneticamente para sair com a cara do papai, o bumbum da mamãe e não o contrario. A meu povo, segura ai que fantasia é o que não me falta! Vou ter de começar do zero, nem o filme Blade Runner assisti. Muito escuro, muita explosão, muita ação e tenho pesadelos a noite. Graças a Deus vc avisou logo que o livro não tem nada com o filme!

Bom, como já disse, o tema será novo para mim, pois nunca li nada a respeito. Li assim, nunca peguei nenhum livro sobre o tema para estudar. Já li artigos em jornais, revistas, alguns debates e “embates”, na TV, documentários… também tão égua não sou, viu meu povo? Para o meu caso, e aqui já puxo a brasa pra minha sardinha mesmo, acredito ser o ideal começar pl começo, ou seja, os clássicos. E dando uma linda rápida em resumos pela rede e no pdf que baixei em um dos links da Lys, dou meu voto para o Admirável Mundo Novo (Schöne neue Welt ), de Aldous Huxley. O preço dele em alemão está bem atrativo. Talvez mande até busca-lo. Tem um livrinho encadernado, cheirinho na mão é bem mais meu gosto!!!

Brilhante a estreia do Lino ! O tema nao poderia ser melhor para abrir as portas do Clube do Livro.

Os dois primeiros livros sao classicos ja muito bem conhecidos como o proprio Lino comentou. Fiz uma busca pela internet para conhecer um pouco mais do terceiro titulo e me pareceu bem interessante tambem.

Como temos que fazer uma escolha eu ficarei com o Admiravel Mundo Novo de Aldous Huxley, primeiro porque eh um classico absoluto da ficcao cientifica e segundo porque vai ser uma excelente oportunidade para eu suprir uma falha terrivel pois devo confessar que ainda nao li. Ja li resenhas e comentarios, mas nunca li o livro de fato.

Esse livro nao so vai nos permitir discutir sobre a questao da “fabricacao de humanos” como disse o Lino, mas tambem nos possibilitar toda um discussao sobre etica, religiao e outras regras sociais completamente diferentes das que vivemos. Desafiaremos aqui os conceitos de certo e errado e isso sera muito interessante. Um otimo livro que deve ser lido sem falta e porque nao comecarmos por ele ?

Os outros dois sao interessantes tambem mas acho que os temas que podemos abordar com Admiravel Mundo Novo sera muito mais interessante e enriquecedor para o grupo !

Outro motivo que me fez escolher esse livro eh que por ser bastante conhecido e de facil acesso, muitos dos palpiteiros poderao acompanhar melhor e enriquecer a discussao. Ele pode tambem ser encontrado facilmente nos sites para download e em portugues, como por exemplo nesse link aqui, ou nesse outro aqui. Ja tentei baixar no linux e nao tem nenhum virus no arquivo, agora so resta alguem que tenha o livro dar uma comparada para ver a integridade da obra.

Enfim, eh dificil e certamente lerei os outros em outra ocasiao, mas a escolha foi feita e meu voto ja foi dado ! Agora vamos escutar a opiniao das outras autoras.

clubelivro1.jpgA genética, aqui entendida como a manipulação dos genes, tomou um vulto enorme nos últimos anos. O assunto, no entanto, não é novo. Pelo menos na ficção e para comprová-lo basta fazer uma pequena procura na Amazon.

Se, olhado como ficção, pode nos proporcionar uma leitura agradável, ao mesmo tempo em que nos informa, os livros que tratam do assunto permite, também, uma ampla discussão sobre critérios humanos, éticos e morais em que se deu, se dá e se dará o uso da genética em benefício do homem, do meio ambiente e do planeta.

É por isso que estou escolhendo o tema para que seja o primeiro objeto de discussão do Clube do Livro. Restringe, a partir da definição do objeto, as opções a três livros. Dois, pelo menos são bem conhecidos e considerados clássicos. Outro, bem mais recente, escrito em uma linguagem quase que cinematográfica, mas que mostra as implicações da nova tecnologia na vida de todos e a que ela pode levar.

A lista, então, começa com Admirável Mundo Novo (Brave New World), de Aldous Huxley. Antevendo o que a genética ainda poderá fazer, Huxley antecipa a Matrix e nos oferece a produção em série de pessoas, criadas todas por um processo genético. É um mundo novo, sem doenças, sem problemas, graças à manipulação dos genes e a perfeita eugenia da criação dos novos humanos.

clubelivro.jpgO segundo título é Blade Runner, de Philip K. Dick. Aqui, temos um outro clássico e, nele, a utilização da genética é feita não para criar humanos, mas robôs, que pensam e, no final, acabam descobrindo algum tipo de sentimento. O livro, de tom psicológico, é diferente do filme. Aliás, livros e filmes nunca são iguais. É uma leitura - do meu ponto de vista - muito interessante.

O terceiro título é Next, de Michael Crichton. Este é um livro novo, construído em cima da onda da pesquisa genética e da verdadeira guerra suja que se estabeleceu em busca da fortuna que o patenteamento de genes está proporcionando. Temos, aqui, uma terceira visão, não de antecipação do futuro, mas de olhar sobre o presente e mostrar algumas facetas deles.

Todos os livros - já chequei isso - estão disponíveis tanto em inglês - Amazon - quanto em português - Cultura - onde podem ser encomendados. Não visitei outras livrarias virtuais, mas acredito que estejam disponíveis nelas também, sem falar nas livrarias físicas, próximas de sua casa, seu local de trabalho e de sua preferência.

Confesso que estou sendo um pouco egoísta, escolhendo um tema que, a princípio, pode parecer difícil. Mas tive o cuidado de limitá-lo à ficção, que, acho, é o objetivo do Clube. O que é algo difícil, graças aos autores, todos conhecidos e renomados, pode tornar-se ameno, agradável. E a gente terá, a partir da escolha feita, a possibilidade de discutir os vários aspectos do desenvolvimento da pesquisa genética.

Bom, agora a bola está com vocês. Leiam, pesquisem, pensem e deciddam. Assim que o título for definido, começamos, efetivamente, este Clube do Livro. E vamos começar discutindo algo que está no nosso futuro - ou não - que é a fabricação dos humanos.

Mais uma poderosa encara o desafio ! Agora eh a vez da Lu Cesar que entrou de cabeca como autora e certamente vai adicionar muito ao grupo ! Mas esse grupo ta bao demais ! So tem gente boa ! Sem contar os palpiteiros maravilhosos que temos ja de butuca para comecar a nos cutucar.

Bom, como ja somos 5 acredito que ja podemos comecar a criar nossas regras. Minhas sugestoes sao:

1. A primeira coisa a ser feita eh voces, outros autores, tentarem escrever um post por aqui para ver se esta funcionando. O Lino ja esta com direitos totais de publicacao… as tres gurias ja devem ter recebido convite meu para se cadastrar  no wordpress correto ? Agora eh so se cadastrar e vir aqui fazer o teste. Qualquer duvida eh so escrever que se estiver ao meu alcance eu posso tentar ajudar.

2. Esse primeiro post poderia ser algo como suas espectativas e ideias para as regras do jogo.

3. Gostaria de saber a opiniao de voces quanto a sequencia de escolhas… se todos concordarem com a sequencia que falei no post anterior, acho que o Lino ja pode comecar a pensar em um post com a sugestao. Sugestao dada, o proximo passo eh procurar o livro e comprar. Na sequencia as sugestoes seriam dadas por: Lino, Loba, Cissa, Lu, Lys

4. Uma coisa importante eh que seja um livro internacional, ou seja, que seja possivel encontrar em varios paises independente da lingua. Uma ideia legal seria achar o titulo em um site como o Amazon pois dai todos nos podemos entrar nos sites dos respectivos paises para ver a capa e o titulo no idioma local. Que tal a ideia ? Se for um livro que so tenha no Brasil eh importante ser possivel arrumar uma versao escaneada ou algo do genero.

5. Se der para postar uma figura com a capa do livro seria bem legal tambem ! Isso facilitaria bastante.

6. Seria tambem muito interessante se a pessoa a escolher o titulo (no caso, o primeirao seria o Lino) fizesse um breve sumario contando para a gente do que se trata, o tema que aborda e o porque da escolha do titulo.

E ai ? Vamos comecar a brincadeira ? Estu que nao consigo me conter de ansiedade !!! Ja sei que a Cica tambem esta roendo as unhas para comecar a ler o primeiro :)

Mais uma para o grupo… agora ja somos 4 !

Que bacana… 4 pessoas diferentes, com ideias diferentes, que vao ler o mesmo livro e trazer aqui sua ideias ! Isso vai ser bom demais ! Mas ainda faltam duas pessoas para fechar as portas de autores.

Acho que a definicao dos titulos poderia ser por ordem de chegada, o que voces acham ?  Eu serei a ultima pois quero mais eh encarar os desafios desse grupo danado de bom !

Entao, ficaria assim… Lino topou primeiro entao escolhe primeiro o titulo (e se segura que dai vem coisa boa que eu ate ja sei - coisa para fazer os neuronios ferverem literalmente)

Em seguida vem Loba… depois a Cissa… e depois as duas proximas vitimas que decidirem encararar o desafio (fechando o numero de seis autores) e logo em seguida sera a minha vez de botar voces para lerem algo bem existencialista :)

Bora meu povo preparar os oculos de grau que ai vem livro !

E o negocio esta esquentando ! Agora ja somos 3 Ls !

Alem dessa novidade maravilhosa temos ainda ai ao lado a lista dos contribuintes esporadicos que nao podem se comprometer no momento por falta de tempo mas que nao querem deixar de dar seus palpites por aqui :)… e nao pensem que o papel de voces sera menos importante viu ? O mais importante de tudo e discutir e nao existe discussoes sem palpiteiros Dessa forma voces serao livres para palpitar nos comentarios sem ter o compromisso de ler o livro e escrever textos como autores.

Eh com imensa alegria que comunico que o Lino acaba de aceitar o desafio e ja chega cheio de ideias interessantes que certamente logo mais ele mesmo ira expor por aqui !

Bem vindo Lino !  E ja somos dois !

Clube do LivroTudo comecou com a chegada do ano novo. Um monte de gente fazendo lista de coisas que gostaria de realizar no ano de 2008 e eu com dificuldade de fazer a minha. Na verdade sao poucas as coisas que gostaria de fazer diferente, talvez voltar a morar no Brasil e ter um filho, mas essas coisas sao muito profundas e nao dependem so do nosso querer e poder.

Pensando aqui e acola lembrei de algo que gostaria de mudar sim e essa coisa eh possivel e depende de muito pouco esforco, afinal, eh apenas mais uma coisa agradavel que pode ser facilmente adicionada as horas de lazer: a leitura.

Decididamente eu quero ler mais em 2008. Mas nao basta ler, quero ler coisas diferentes ! Quero abrir meus horizontes !

Andando pela livraria uma coisa eh certo, eu irei parar em frente da estante com livros da Simone de Beauvoir e comprar algo dela para ler. Se nao for Simone sera Thomas Man, ou Albert Camus ou algo do genero. Minhas ultimas compras sempre seguiram o mesmo genero literario, que modestia a parte eh muito bom e sei disso, mas quero renovar ! Com esse pensamento entrei em uma livraria e sai com um livro sobre a vida de Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre. Mais uma tentativa frustrada… Ou seja, nao eh facil renovar sozinha.

Recebi pelo correio uma revistinha dessas da TV a cabo. Estava eu la folheando sem muito interesse quando de repente deparei com uma materia que me deu uma bela de uma ideia ! O clube do livro.

O que eh isso ? Bom, a ideia eh que um grupo de pessoas nao muito grande se juntem para ler um livro e discutir sobre ele uma vez por mes em um lugar combinado. Mas para quem eh refugiado isso nao eh uma tarefa facil ne ? Entao ai me veio a segunda ideia ! Por que nao um clube do livro virtual ?

A ideia seria juntar um grupo de pessoas de no maximo 10 pessoas. Um sorteio definiria a sequencia das escolhas dos titulos dos livros. Cada um teria o direito de escolher um titulo, garantindo uma variedade em gostos e generos, que devera ser lido por um grupo de no maximo 10 pessoas que se comprometeriam a escrever posts nesse mesmo blog (http://clubedolivro.wordpress.com/) com suas ideias e opinioes a respeito do livro atual, capitulo por capitulo, cada capitulo nos daria um tema de discussao ou critica. Acredito que varias cabecas e ideias daria uma bela discussao aonde aprenderiamos muito ! Nesse blog nao sera permitido nenhum tema que nao for especificamente relacionado com o livro em questao ja que para isso temos nossos blogs pessoais.

E obviamente que os contribuintes nao seriam apenas esse grupo de no maximo 10 pessoas… eh claro que a opiniao de todos sera muito bem vinda e eh por isso que a ideia do blog pode ser algo interessante, ja que abre a possibilidade de comentarios de todos que estiverem interessados. Dessa forma, apesar de apenas os 10 terem o compromisso de ler e escrever sobre os capitulos, toda a blogosfera eh livre para ler e participar, pois sei muito bem que tem muita gente com ideias interessantes para dividir mas que nao tem tempo para assumir nenhum compromisso extra… por isso apenas uma participacao como contribuinte e sem muito compromisso seria interessante !

Quem estiver interessado em participar de fato e ser um dos 10 autores do clube do livro entrem em contato comigo e de preferencia o mais breve possivel pois nao vejo a hora de comecarmos nossas viagens pelo mundo da literatura !

Mas lembre-se que ninguem eh obrigado a participar como autor, se estiveres sem tempo e quer participar apenas com comentarios sinta-se sempre muito bem vindo !

A ideia eh abrir o livro, ler e discutir ! Fazendo de 2008 um ano mais produtivo para todos nos !

Pensei inicialmente em 6 autores pois ai teriamos 6 livros, um por mes para ler e discutir e se acharmos que vale a pena continuar podemos fazer uma segunda versao para o segundo semestre.

E ai ? Topas o desafio ?